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14 de outubro, 2026
LEITURA DE 4MIN
Novo modelo de formação do PLD deve estrear em 2028
A CCEE projeta para 2028 a substituição do Newave e do Decomp, modelos computacionais que hoje formam o PLD, segundo entrevista do diretor-presidente interino da Câmara à Agência iNFRA. Veja o que muda, qual é o cronograma até a estreia e como a sua empresa pode se preparar.

O que é o PLD e por que ele importa para a sua empresa?
O PLD (Preço de Liquidação das Diferenças) é o preço de referência do mercado livre de energia. Ele valoriza as diferenças entre a energia que uma empresa contratou e a que efetivamente consumiu, e também serve de termômetro para os preços negociados nos contratos de médio e longo prazo.
Na prática, quando o PLD sobe ou desce, o efeito chega ao orçamento de quem está exposto ao curto prazo e influencia o preço das próximas contratações. Por isso, qualquer mudança na forma como esse preço é calculado interessa diretamente às empresas do Grupo A que compram energia no mercado livre.
O que a CCEE anunciou e como o PLD é calculado hoje?
A CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica) prevê para 2028 a substituição dos modelos computacionais usados hoje na formação do PLD. Segundo o diretor-presidente interino da Câmara, Ricardo Simabuku, a expectativa é que os novos programas sejam mais aderentes à realidade do mercado e ofereçam um sinal de preço melhor.
Os novos modelos foram desenvolvidos em conjunto com o ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) e a EPE (Empresa de Pesquisa Energética) e foram liberados para testes pelos agentes do mercado em 8 de outubro de 2026.
A proposta substitui o Newave e o Decomp, responsáveis pela formação de preços de longo e médio prazo. O Dessem, que atua no curto prazo, deve permanecer em uso.
Hoje, o PLD é resultado de uma cadeia de três modelos computacionais, cada um responsável por um horizonte de tempo. Juntos, eles respondem a uma pergunta central do sistema elétrico brasileiro: vale mais usar a água dos reservatórios agora ou guardá-la para o futuro?
- Newave: olha para o longo prazo, com horizonte de alguns anos e cálculos mensais. Estima o chamado valor da água, considerando milhares de cenários possíveis de chuva.
- Decomp: detalha o médio prazo, com cálculos semanais para os meses seguintes, a partir das informações do Newave.
- Dessem: cuida do curto prazo, com programação diária e resultados horários. É ele que dá origem ao PLD horário usado no mercado.
A lógica é de custo de oportunidade. Se os modelos indicam que a água usada hoje pode fazer falta mais adiante, o valor da água sobe, mais usinas térmicas são acionadas e o PLD tende a aumentar. Se os reservatórios estão confortáveis e a previsão de chuvas é favorável, o efeito é o inverso.
Por que os modelos atuais estão sendo substituídos?
Os modelos atuais foram criados na década de 1990, para um sistema elétrico muito diferente do atual. Há três razões principais para a troca:
- A matriz mudou. Quando os códigos foram desenvolvidos, o sistema era praticamente hídrico, com pouca geração térmica e quase nenhuma eólica ou solar. Ao longo dos anos, novas fontes e restrições hidráulicas foram sendo encaixadas nos modelos por meio de ajustes, o que aumentou a complexidade e as críticas do mercado.
- O acesso ao código é limitado. Os programas pertencem ao Cepel (Centro de Pesquisas de Energia Elétrica), que deixou de ser público com uma privatização no setor em 2022. A própria CCEE não tem acesso ao código-fonte, o que dificulta atualizações.
- A tecnologia envelheceu. Os modelos foram escritos em uma linguagem de programação considerada desatualizada.
Um ponto relevante para o mercado é que os novos modelos devem ter código aberto, uma demanda antiga dos agentes. Nas palavras de Simabuku, "um código aberto permite que todos possam contribuir e analisar os modelos".
Para as empresas consumidoras, o efeito é indireto, mas relevante. Um preço formado de maneira mais transparente tende a ser mais compreensível e mais fácil de acompanhar. E compreender como o preço se forma é o primeiro passo para planejar o custo da energia com mais previsibilidade.
Qual é o cronograma até 2028 e onde entra o preço por oferta?
A transição será gradual. As etapas divulgadas até agora são:
- Outubro de 2026: novos modelos disponibilizados para testes pelos agentes do mercado.
- Ao longo de 2027: período sombra, em que os novos modelos rodam em paralelo aos atuais, sem efeito oficial sobre os preços.
- Homologação pela ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica), condição para que os modelos passem a valer oficialmente.
- 2028: estreia prevista dos novos modelos na formação do PLD.
- Entre 2028 e 2029: a CCEE espera avançar para uma modelagem híbrida, que combina os modelos computacionais com ofertas de preço dos agentes.
Para a gestão dos novos códigos, o MME (Ministério de Minas e Energia) deverá publicar uma portaria delegando a responsabilidade conjunta à CCEE, ao ONS e à EPE.
Preço por oferta é um modelo em que os agentes declaram as quantidades e os preços pelos quais estão dispostos a produzir ou consumir energia, e o preço resulta desse encontro entre oferta e demanda. É diferente do modelo atual, em que o preço é calculado principalmente por programas computacionais de otimização.
O MME abriu uma consulta pública sobre o tema no início de 2026, cujo resultado ainda não foi divulgado. A modelagem híbrida prevista pela CCEE seria um passo intermediário nessa direção.
O que muda na prática e como a sua empresa pode se preparar?
No curto prazo, nada muda no cálculo do PLD: os modelos atuais continuam oficiais até a homologação dos novos. A mudança relevante é de horizonte. Quem contrata energia hoje para 2028 em diante já está negociando um período em que o preço de referência pode ser formado por uma metodologia diferente.
A CCEE espera um sinal de preço mais aderente à realidade do sistema, mas toda transição metodológica exige um período de adaptação do mercado.
Contratos de médio e longo prazo que atravessam 2028 merecem atenção especial. Prazos, volumes e flexibilidades adequados ao perfil da empresa ajudam a atravessar a transição com mais estabilidade.
A preparação passa menos por prever o preço e mais por organizar a decisão:
- Conheça a sua exposição ao curto prazo. Quanto do seu consumo depende do PLD e quanto está coberto por contratos.
- Acompanhe o período sombra. Os resultados de 2027 vão mostrar como os novos modelos se comportam em comparação aos atuais.
- Conte com quem acompanha o tema. Mudanças regulatórias exigem leitura contínua do mercado, não apenas uma decisão pontual.
Profundidade técnica para decisões mais claras
A Nova Energia atua no mercado de energia desde 2009 e tem sócios com trajetória na própria CCEE. Acompanhamos de perto as mudanças regulatórias para que a sua empresa entenda o que muda e decida com segurança, sem precisar dominar cada detalhe técnico do setor.
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Fontes
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