O que é o PLD e por que ele importa para a sua empresa?

O PLD (Preço de Liquidação das Diferenças) é o preço de referência do mercado livre de energia. Ele valoriza as diferenças entre a energia que uma empresa contratou e a que efetivamente consumiu, e também serve de termômetro para os preços negociados nos contratos de médio e longo prazo.

Na prática, quando o PLD sobe ou desce, o efeito chega ao orçamento de quem está exposto ao curto prazo e influencia o preço das próximas contratações. Por isso, qualquer mudança na forma como esse preço é calculado interessa diretamente às empresas do Grupo A que compram energia no mercado livre.

O que a CCEE anunciou e como o PLD é calculado hoje?

A CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica) prevê para 2028 a substituição dos modelos computacionais usados hoje na formação do PLD. Segundo o diretor-presidente interino da Câmara, Ricardo Simabuku, a expectativa é que os novos programas sejam mais aderentes à realidade do mercado e ofereçam um sinal de preço melhor.

Os novos modelos foram desenvolvidos em conjunto com o ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) e a EPE (Empresa de Pesquisa Energética) e foram liberados para testes pelos agentes do mercado em 8 de outubro de 2026.

A proposta substitui o Newave e o Decomp, responsáveis pela formação de preços de longo e médio prazo. O Dessem, que atua no curto prazo, deve permanecer em uso.

Hoje, o PLD é resultado de uma cadeia de três modelos computacionais, cada um responsável por um horizonte de tempo. Juntos, eles respondem a uma pergunta central do sistema elétrico brasileiro: vale mais usar a água dos reservatórios agora ou guardá-la para o futuro?

  • Newave: olha para o longo prazo, com horizonte de alguns anos e cálculos mensais. Estima o chamado valor da água, considerando milhares de cenários possíveis de chuva.
  • Decomp: detalha o médio prazo, com cálculos semanais para os meses seguintes, a partir das informações do Newave.
  • Dessem: cuida do curto prazo, com programação diária e resultados horários. É ele que dá origem ao PLD horário usado no mercado.

A lógica é de custo de oportunidade. Se os modelos indicam que a água usada hoje pode fazer falta mais adiante, o valor da água sobe, mais usinas térmicas são acionadas e o PLD tende a aumentar. Se os reservatórios estão confortáveis e a previsão de chuvas é favorável, o efeito é o inverso.

Por que os modelos atuais estão sendo substituídos?

Os modelos atuais foram criados na década de 1990, para um sistema elétrico muito diferente do atual. Há três razões principais para a troca:

  • A matriz mudou. Quando os códigos foram desenvolvidos, o sistema era praticamente hídrico, com pouca geração térmica e quase nenhuma eólica ou solar. Ao longo dos anos, novas fontes e restrições hidráulicas foram sendo encaixadas nos modelos por meio de ajustes, o que aumentou a complexidade e as críticas do mercado.
  • O acesso ao código é limitado. Os programas pertencem ao Cepel (Centro de Pesquisas de Energia Elétrica), que deixou de ser público com uma privatização no setor em 2022. A própria CCEE não tem acesso ao código-fonte, o que dificulta atualizações.
  • A tecnologia envelheceu. Os modelos foram escritos em uma linguagem de programação considerada desatualizada.

Um ponto relevante para o mercado é que os novos modelos devem ter código aberto, uma demanda antiga dos agentes. Nas palavras de Simabuku, "um código aberto permite que todos possam contribuir e analisar os modelos".

Para as empresas consumidoras, o efeito é indireto, mas relevante. Um preço formado de maneira mais transparente tende a ser mais compreensível e mais fácil de acompanhar. E compreender como o preço se forma é o primeiro passo para planejar o custo da energia com mais previsibilidade.

Qual é o cronograma até 2028 e onde entra o preço por oferta?

A transição será gradual. As etapas divulgadas até agora são:

  1. Outubro de 2026: novos modelos disponibilizados para testes pelos agentes do mercado.
  2. Ao longo de 2027: período sombra, em que os novos modelos rodam em paralelo aos atuais, sem efeito oficial sobre os preços.
  3. Homologação pela ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica), condição para que os modelos passem a valer oficialmente.
  4. 2028: estreia prevista dos novos modelos na formação do PLD.
  5. Entre 2028 e 2029: a CCEE espera avançar para uma modelagem híbrida, que combina os modelos computacionais com ofertas de preço dos agentes.

Para a gestão dos novos códigos, o MME (Ministério de Minas e Energia) deverá publicar uma portaria delegando a responsabilidade conjunta à CCEE, ao ONS e à EPE.

Preço por oferta é um modelo em que os agentes declaram as quantidades e os preços pelos quais estão dispostos a produzir ou consumir energia, e o preço resulta desse encontro entre oferta e demanda. É diferente do modelo atual, em que o preço é calculado principalmente por programas computacionais de otimização.

O MME abriu uma consulta pública sobre o tema no início de 2026, cujo resultado ainda não foi divulgado. A modelagem híbrida prevista pela CCEE seria um passo intermediário nessa direção.

O que muda na prática e como a sua empresa pode se preparar?

No curto prazo, nada muda no cálculo do PLD: os modelos atuais continuam oficiais até a homologação dos novos. A mudança relevante é de horizonte. Quem contrata energia hoje para 2028 em diante já está negociando um período em que o preço de referência pode ser formado por uma metodologia diferente.

A CCEE espera um sinal de preço mais aderente à realidade do sistema, mas toda transição metodológica exige um período de adaptação do mercado.

Contratos de médio e longo prazo que atravessam 2028 merecem atenção especial. Prazos, volumes e flexibilidades adequados ao perfil da empresa ajudam a atravessar a transição com mais estabilidade.

A preparação passa menos por prever o preço e mais por organizar a decisão:

  • Conheça a sua exposição ao curto prazo. Quanto do seu consumo depende do PLD e quanto está coberto por contratos.
  • Acompanhe o período sombra. Os resultados de 2027 vão mostrar como os novos modelos se comportam em comparação aos atuais.
  • Conte com quem acompanha o tema. Mudanças regulatórias exigem leitura contínua do mercado, não apenas uma decisão pontual.

Profundidade técnica para decisões mais claras

A Nova Energia atua no mercado de energia desde 2009 e tem sócios com trajetória na própria CCEE. Acompanhamos de perto as mudanças regulatórias para que a sua empresa entenda o que muda e decida com segurança, sem precisar dominar cada detalhe técnico do setor.

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Fontes