Notícias do Setor
16 de setembro, 2026
LEITURA DE 4MIN
Transição energética na eleição de 2026: o que une e o que separa os presidenciáveis (e o que isso muda para a sua empresa)

O que o estudo revela sobre os presidenciáveis e a transição energética?
O estudo revela que há mais consenso do que ruptura, mas um consenso pouco detalhado. Analisando as propostas de seis presidenciáveis à luz de 28 itens da agenda socioambiental, o Observatório do Clima classificou cada posição como favorável, vaga, questionável, contrária ou não mencionada. O resultado predominante foi "vago": os candidatos tendem a apoiar a mesma direção geral, sem apresentar como pretendem chegar lá.
Os seis avaliados foram Lula (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Augusto Cury (Avante), Renan Santos (Missão), Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo). A leitura da análise, publicada pela newsletter Diálogos da Transição (eixos), é que a transição energética já não é mais uma pauta de nicho: ela atravessa todo o espectro político, ainda que com profundidades muito diferentes.
No que os presidenciáveis concordam?
Eles concordam, sobretudo, em dois pontos: expandir as fontes renováveis e tratar os minerais críticos como ativo estratégico. Segundo o estudo, praticamente todos os candidatos defendem a ampliação da geração renovável, embora a maioria dessas propostas tenha sido classificada como vaga, sinalizando uma visão compartilhada sobre a importância da energia limpa, mas sem compromissos concretos.
O segundo consenso está nos minerais críticos e terras raras, vistos por todos como peça-chave da industrialização brasileira e da demanda global por tecnologias de baixo carbono. É um raro ponto em que discurso econômico e discurso ambiental se encontram na campanha.
No que os presidenciáveis se separam?
A separação aparece com clareza em dois temas: o ritmo de saída dos combustíveis fósseis e as salvaguardas ambientais na mineração. Aqui, a convergência dá lugar à divergência real.
Sobre os fósseis, o estudo aponta uma contradição no próprio centro do debate: a combinação de discurso ambiental ambicioso com aumento da produção de petróleo e gás. Sobre licenciamento e controle ambiental na mineração, as posições vão de acelerar e simplificar o licenciamento (atribuída por exemplo a Augusto Cury e Romeu Zema, com procedimentos mais rápidos para projetos estratégicos) a ênfases em rastreabilidade e fiscalização de barragens (Ronaldo Caiado), passando por prioridade a capital estrangeiro e agilidade de projetos (Flávio Bolsonaro) e por marcos de exploração em terras indígenas sem previsão de consulta prévia (Renan Santos). Vale registrar que essas classificações são do Observatório do Clima; a Nova Energia as reproduz de forma neutra, sem endossar candidatos.
Por que essa agenda importa para a sua empresa, mesmo fora do setor de energia?
Importa porque é essa agenda que define o custo, a previsibilidade e as regras da energia que a sua empresa consome. Independentemente de quem vença, as decisões do próximo governo sobre subsídios, encargos e regulação chegam à conta de luz de todo mundo.
O próprio setor já deixou seus pedidos na mesa dos candidatos. Entre as prioridades levantadas pela imprensa especializada estão a revisão de subsídios que pressionam a tarifa, com atenção à expansão da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE); a solução para os cortes de geração (curtailment), que a Abiape estimou em cerca de R$ 6 bilhões de perdas para geradores renováveis em 2025; e a chamada estratégia de powershoring, defendida pela CNI para atrair indústrias eletrointensivas com energia competitiva. São temas técnicos, mas que se traduzem, no fim, em quanto a sua empresa paga e com qual grau de segurança jurídica.
O que muda para quem está (ou quer entrar) no mercado livre?
Para o mercado livre, o recado é de continuidade com atenção redobrada à previsibilidade regulatória. A migração de empresas para o ambiente de contratação livre é uma tendência estrutural que não depende de um único governo, mas o ritmo da abertura do mercado, o desenho dos encargos e a segurança jurídica para autogeração e contratos de longo prazo dependem, sim, de decisões políticas.
Na prática, isso significa que acompanhar a agenda de transição energética deixou de ser assunto apenas de quem gera energia e passou a ser gestão de risco para quem consome. Empresas que entendem esse cenário não tentam adivinhar o resultado da eleição: elas estruturam a contratação de energia de forma a manter previsibilidade de custo em qualquer cenário, aproveitando janelas favoráveis para fixar preço e reduzir a exposição a mudanças de regra.
Perguntas frequentes
O que é a transição energética?
É o processo de mudança da matriz energética em direção a fontes de menor emissão e a um sistema mais diversificado. No Brasil, ela envolve não só renováveis, mas também temas como redes, armazenamento, mercado livre e o papel do gás e do petróleo na fase de transição.
Por que a eleição afeta o preço da energia da minha empresa?
Porque parte relevante da conta de energia é formada por encargos, subsídios e regras definidos por política pública. Decisões sobre a CDE, sobre a abertura do mercado livre e sobre segurança jurídica influenciam diretamente o custo e a previsibilidade da energia.
O que é o mercado livre de energia?
É o ambiente em que a empresa escolhe seu fornecedor e negocia preço e prazo de energia, em vez de pagar a tarifa regulada da distribuidora. Ele tende a oferecer economia e previsibilidade, mas exige estratégia de contratação.
O que é a CDE?
A Conta de Desenvolvimento Energético é um fundo setorial que banca subsídios e políticas do setor elétrico. Sua expansão é apontada por associações do setor como uma das principais pressões sobre a tarifa.
A transição energética torna a energia mais cara?
Não necessariamente. No curto prazo, alguns investimentos e encargos podem pressionar a tarifa; no médio prazo, a diversificação da matriz e a competição no mercado livre podem ampliar as opções de economia para as empresas. O efeito depende das regras adotadas.
Ler o cenário antes de reagir a ele
Eleições passam; contratos de energia ficam. No mercado livre, o que protege a empresa não é apostar em um resultado eleitoral, e sim entender como a agenda de transição energética molda custo, encargos e regras, e se posicionar com antecedência. A Nova Energia acompanha o mercado de ponta a ponta e traduz esse cenário, do debate regulatório à curva de preços, em decisões simples de contratação, para que a sua empresa mantenha previsibilidade em qualquer governo. E segue ao seu lado depois do contrato, cuidando do mercado pela sua empresa enquanto você cuida do seu negócio.
Fontes
- O que une (e o que separa) os presidenciáveis na agenda de transição energética — eixos / Diálogos da Transição
- O que o setor de energia quer do próximo governo — eixos / Diálogos da Transição
- Presidenciáveis: convergências e divergências na transição energética e mineração — Portal Energia Limpa (estudo do Observatório do Clima)
22 de julho, 2026Notícias do Setor
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O Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) confirmou que as condições de abastecimento seguem seguras para 2026, apoiado na recuperação dos reservatórios e no planejamento operacional. Ainda assim, manteve o alerta para um El Niño de intensidade forte a muito forte no segundo semestre, um cenário que empresas do Mercado Livre de Energia acompanham de perto por sua relação direta com o custo do consumo elétrico.

