Associações do setor elétrico alertam para aumento de custos com possível expansão do uso de termelétricas

Entidades do setor questionam decisão que pode elevar em R$ 5,4 bilhões os custos da operação elétrica em 2027.

O setor elétrico brasileiro acompanha uma discussão importante que pode impactar diretamente os custos da energia nos próximos anos. Sete associações representativas do mercado divulgaram um manifesto conjunto questionando uma possível ampliação do acionamento de usinas termelétricas para 2027.

A decisão será analisada pelo Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), responsável por definir o nível de segurança operacional do sistema elétrico brasileiro.

O que está sendo discutido

O CMSE irá definir o nível do chamado CVaR, mecanismo utilizado para determinar quanto de geração termelétrica será necessário para complementar a geração hidrelétrica em cenários de risco hidrológico.

Na prática, quanto maior o nível de segurança definido, maior tende a ser o acionamento de termelétricas.

Segundo as entidades, a proposta em análise pode elevar em aproximadamente R$ 5,4 bilhões os custos do sistema elétrico já em 2027.

Associações questionam relação entre custo e benefício

O manifesto afirma que o aumento de custos teria impacto limitado na segurança do sistema.

De acordo com o documento, a medida resultaria em um acréscimo de cerca de apenas 2% no armazenamento dos reservatórios das hidrelétricas.

As entidades defendem que os parâmetros atuais já garantem segurança suficiente para o atendimento do sistema elétrico, inclusive em cenários hidrológicos considerados severos.

Hoje, o modelo já representa aproximadamente R$ 51,6 bilhões em geração termelétrica contratada.

Possíveis impactos para consumidores e empresas

As associações alertam que uma ampliação adicional do uso de termelétricas pode gerar reflexos relevantes em toda a cadeia elétrica e na economia.

Entre os principais impactos apontados estão:

• aumento do custo da energia elétrica
• pressão sobre preços no Mercado Livre de Energia
• reajustes tarifários para consumidores
• impactos inflacionários
• redução da competitividade da indústria nacional

O documento também destaca preocupação com os reflexos sobre o planejamento financeiro de empresas e famílias.

Entidades que assinam o manifesto

O manifesto foi assinado por sete entidades representativas do setor elétrico brasileiro:

• Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica)
• Associação Brasileira dos Investidores em Autoprodução de Energia Elétrica (Abiape)
• Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia (Abraceel)
• Associação Brasileira dos Grandes Consumidores de Energia e Consumidores Livres (Abrace Energia)
• Associação Nacional dos Consumidores de Energia (Anace)
• Associação da Indústria de Cogeração de Energia (Cogen)
• Frente Nacional dos Consumidores de Energia

Debate envolve equilíbrio entre segurança e custos

Segundo o manifesto, a discussão não deve ser tratada como uma escolha entre segurança energética e modicidade tarifária.

O ponto central, segundo as entidades, é definir qual é o nível adequado de segurança para o sistema elétrico brasileiro considerando critérios técnicos, econômicos e os impactos para os consumidores.

A decisão do CMSE será acompanhada de perto pelo mercado, já que poderá influenciar diretamente os custos da energia nos próximos anos, tanto no ambiente regulado quanto no Mercado Livre de Energia.




Fonte: Canal Energia

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