Mercado Livre de Energia
30 de abril, 2026
LEITURA DE 5MIN
Mercado Livre de Energia pode reduzir até 9,3 milhões de toneladas de CO2 por ano no Brasil, aponta estudo do MIT
Estudo do MIT mostra que a abertura do mercado de energia pode acelerar a descarbonização no Brasil e ampliar o uso de fontes renováveis.

Expansão do Mercado Livre pode impulsionar a descarbonização no Brasil
A expansão do Mercado Livre de Energia para consumidores residenciais e pequenos comércios pode se tornar um dos principais vetores de descarbonização no Brasil. A avaliação é de um estudo apresentado pelo MIT, que analisa os impactos da abertura do mercado prevista para os próximos anos.
Segundo o levantamento, a ampliação do modelo tem potencial para evitar a emissão de aproximadamente 9,3 milhões de toneladas de CO2 por ano. Esse volume é equivalente à retirada de mais de 2 milhões de carros a gasolina das ruas ou ao sequestro de carbono realizado por cerca de 65 milhões de árvores ao longo de uma década.
A análise considera um consumo anual de cerca de 320 TWh e aponta que a mudança vai além de uma alteração regulatória, representando uma transformação no comportamento de consumo energético no país.
O que é o Mercado Livre de Energia e quem pode acessar
O Mercado Livre de Energia é um modelo no qual consumidores podem escolher de quem comprar eletricidade, negociando diretamente com geradores ou comercializadoras.
Atualmente, esse ambiente ainda é predominantemente acessado por consumidores de maior porte. Já residências e pequenos negócios permanecem no mercado regulado, onde a energia é fornecida pela distribuidora local, sem possibilidade de escolha.
A abertura total do mercado, prevista para 2028, deve ampliar esse acesso. Com a inclusão da baixa tensão, milhões de consumidores poderão migrar para o ambiente livre.
Na prática, isso permitirá:
• escolha do fornecedor de energia
• possibilidade de contratação de fontes renováveis
• maior controle sobre custos
• gestão mais ativa do consumo
Além dos impactos econômicos, essa mudança também tende a ampliar o acesso à energia proveniente de fontes renováveis.
A abertura do mercado já avança entre pequenas e médias empresas
A expansão do Mercado Livre de Energia não é apenas uma projeção futura. Desde janeiro de 2024, consumidores atendidos em média tensão já podem migrar para esse ambiente.
Dados da Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia (Abraceel) e da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) indicam que o número de consumidores no modelo passou de cerca de 38 mil em 2023 para mais de 90 mil em 2025.
Somente em 2025, aproximadamente 30 mil novos consumidores aderiram ao sistema, em sua maioria pequenas e médias empresas.
Esse movimento já apresenta impactos ambientais mensuráveis. A migração desses consumidores resultou na redução de cerca de 240 mil toneladas de CO2 por ano, considerando o fator de emissão do Sistema Interligado Nacional.
Casos práticos também mostram resultados econômicos. Empresas relatam redução relevante de custos e diminuição da pegada de carbono após a migração para contratos de energia com fontes renováveis.
Curtailment e o desafio do uso eficiente da energia renovável
O estudo também aponta que a expansão do Mercado Livre pode ajudar a resolver um dos principais desafios atuais do setor elétrico: o curtailment.
Esse fenômeno ocorre quando usinas eólicas e solares precisam reduzir sua geração devido a limitações da rede elétrica ou excesso de oferta no sistema.
Nos últimos anos, o Brasil registrou episódios recorrentes desse tipo, evidenciando um cenário em que há disponibilidade de energia renovável, mas falta demanda no momento adequado.
A entrada de novos consumidores no Mercado Livre pode ajudar a absorver essa energia excedente, reduzindo desperdícios e aumentando a eficiência do sistema elétrico.
Segundo especialistas, a abertura da baixa tensão pode incentivar uma gestão mais ativa do consumo, alinhando o uso de energia aos períodos de maior geração, especialmente solar e eólica.
Estados com maior potencial de redução de emissões
O estudo também identificou o potencial de redução de emissões por estado.
Entre os destaques estão:
• São Paulo: até 2,35 milhões de toneladas de CO2 por ano
• Minas Gerais: cerca de 756 mil toneladas
• Rio de Janeiro: aproximadamente 672 mil toneladas
• Paraná: cerca de 504 mil toneladas
• Rio Grande do Sul: cerca de 462 mil toneladas
O Rio de Janeiro se destaca pelo impacto por residência, cerca de 25% acima da média nacional, impulsionado principalmente pelo consumo associado à climatização.
O que essa mudança representa para o futuro do consumo de energia?
A abertura do Mercado Livre de Energia para consumidores de menor porte pode representar uma mudança estrutural na forma como a energia é consumida no Brasil.
Com mais opções de contratação e maior acesso a fontes renováveis, a escolha da energia tende a se tornar parte da rotina de milhões de consumidores.
Se confirmadas as projeções, a partir de 2028 a decisão sobre o fornecedor de energia poderá deixar de ser exclusiva de grandes empresas e passar a fazer parte do dia a dia de consumidores residenciais e pequenos negócios.
O papel da Nova Energia na gestão de consumo e fontes renováveis
Em um cenário em que a escolha do fornecedor e da origem da energia passa a ganhar relevância estratégica, a atuação de uma comercializadora com capacidade técnica torna-se ainda mais relevante.
A Nova Energia opera no Mercado Livre há 17 anos apoiando empresas na estruturação de contratos alinhados ao perfil de consumo e às diretrizes do setor, incluindo a possibilidade de contratação de fontes renováveis e certificação de origem.
Além da negociação, a atuação envolve acompanhamento contínuo da operação, permitindo que o consumo seja ajustado às condições do sistema e às oportunidades disponíveis, especialmente em um ambiente marcado por maior oferta de energia limpa e necessidade de gestão mais ativa.
FAQ sobre Mercado Livre de Energia e descarbonização
O que é o Mercado Livre de Energia?
É o ambiente em que consumidores podem escolher de quem comprar energia elétrica, negociando diretamente com geradores ou comercializadoras.
Quem pode acessar o Mercado Livre hoje?
Atualmente, consumidores atendidos em média e alta tensão já podem migrar. A abertura para consumidores de baixa tensão está prevista para ocorrer até 2028.
O Mercado Livre ajuda a reduzir emissões de CO2?
Segundo estudo do MIT, a expansão do modelo pode contribuir para reduzir emissões ao ampliar o acesso a fontes renováveis e melhorar o uso da energia disponível no sistema.
O que é curtailment no setor elétrico?
É a redução obrigatória da geração de energia, principalmente em usinas renováveis, devido a limitações da rede ou excesso de oferta.
Fonte: Exame
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