O Brasil chega ao fim do período seco com água nos reservatórios. A previsão inicial do ONS para outubro de 2026 indica níveis acima de 55% em todas as regiões, com destaque para o Sul, que deve atingir 91,5% da capacidade.

Para quem acompanha o mercado de energia, é um sinal positivo. Reservatórios em bom nível reduzem a necessidade de acionar usinas mais caras, trazem mais estabilidade aos preços e abrem espaço para que empresas planejem seus custos com mais segurança.

Como ficam os reservatórios no fim de outubro?

Todas as regiões devem terminar o mês acima de 55% da capacidade de armazenamento, de acordo com o Programa Mensal de Operação (PMO) de outubro, divulgado pelo ONS em 25 de setembro de 2026.

Nível previsto dos reservatórios no fim de outubro:

  • Sul: 91,5%
  • Norte: 66,1%
  • Nordeste: 63,4%
  • Sudeste/Centro-Oeste: 55,6%

Fonte: ONS, via CanalEnergia e Cenário Energia.

A afluência, chamada tecnicamente de Energia Natural Afluente (ENA), mede quanta água chega aos rios que abastecem as hidrelétricas. Quando ela supera 100% da média histórica, significa chuva acima do normal para o período.

Por que o Sul e o Sudeste estão em destaque?

Porque as duas regiões devem receber chuvas acima da média em outubro. No Sul, a afluência prevista é de 26.506 MW médios, cerca de 193% da média histórica. No Sudeste/Centro-Oeste, são 24.870 MW médios, 105% da média.

O Sudeste/Centro-Oeste concentra a maior capacidade de armazenamento do país. Por isso, chuvas dentro ou acima do normal nessa região têm peso decisivo para o equilíbrio de todo o sistema. Segundo o ONS, o subsistema deve passar de 57,4% para 55,6% ao longo do mês, uma variação pequena e esperada na virada do período seco para o úmido.

A Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) também destacou esse movimento: a transição para o período úmido em parte das principais bacias hidrográficas foi o motivo apontado para a mudança da bandeira tarifária em outubro.

O que isso muda no custo da energia?

Com mais água nos reservatórios, o sistema depende menos de usinas térmicas, que têm custo de geração mais alto. Esse efeito já aparece em três indicadores:

  • Bandeira verde em outubro. A ANEEL determinou bandeira verde para outubro, após cinco meses de bandeira amarela (maio a setembro), eliminando a cobrança extra de R$ 1,885 a cada 100 kWh para consumidores do mercado regulado (Olhar Digital).
  • Despacho térmico concentrado no mínimo. Dos 7.590 MW médios de geração térmica previstos para a primeira semana, 7.083 MW médios são de usinas que operam por inflexibilidade contratual. Apenas 507 MW médios foram acionados por ordem de custo (Cenário Energia).
  • Custo Marginal de Operação baixo. O CMO está em R$ 42,43/MWh para Sudeste/Centro-Oeste, Sul e Nordeste. O indicador mostra quanto custa produzir o próximo megawatt-hora e serve de referência para o Preço de Liquidação das Diferenças (PLD) no mercado de curto prazo.

O custo operacional semanal também deve recuar: de R$ 625,2 milhões na primeira semana para uma média de R$ 269,5 milhões nas semanas seguintes, segundo o ONS.

Para as empresas do mercado livre, a bandeira tarifária não incide sobre a energia contratada. O que pesa é o preço negociado em contrato e, na parcela de curto prazo, o PLD. Um cenário hídrico favorável tende a trazer mais estabilidade a essas referências.

E o Norte e o Nordeste?

Mesmo com chuvas abaixo da média, as duas regiões devem encerrar outubro com reservatórios em níveis confortáveis: 66,1% no Norte e 63,4% no Nordeste. A afluência prevista é de 43% da média histórica no Norte e 61% no Nordeste, comportamento típico desta época do ano nessas bacias.

O Sistema Interligado Nacional permite transferir energia entre regiões, o que ajuda a equilibrar as diferenças de chuva. No Norte, o CMO ficou em R$ 461,46/MWh, reflexo das condições locais de afluência, enquanto as demais regiões operam com custo bem menor.

As duas regiões também lideram o crescimento da carga de energia em outubro: alta de 9,3% no Norte e 9,2% no Nordeste. Para todo o sistema, o ONS revisou a previsão de crescimento de 4,9% para 3,6% na comparação com outubro de 2025, com carga média estimada em 85.274 MW médios.

Como a empresa pode aproveitar esse momento?

Momentos de estabilidade são os mais indicados para planejar. Quando o cenário está favorável, a empresa decide com calma, sem a pressão de um período de preços em alta. Alguns caminhos:

  1. Revisar o perfil de consumo. Entender quanto, quando e como a empresa consome é o ponto de partida para qualquer decisão de contratação.
  2. Avaliar a migração para o mercado livre. Empresas do Grupo A podem negociar o fornecimento diretamente, com prazo, volume e preço definidos em contrato.
  3. Planejar o horizonte de contratação. Um cenário hídrico positivo é uma boa oportunidade para analisar contratos de médio e longo prazo e garantir preço com mais previsibilidade.
  4. Contar com acompanhamento especializado. O setor elétrico muda a cada semana. Ter quem acompanhe esses indicadores pela empresa transforma informação em decisão.

Informação clara para decidir melhor

Os números de outubro mostram um sistema elétrico em boas condições para atravessar a transição para o período úmido. Para as empresas, a melhor forma de aproveitar esse cenário é acompanhá-lo de perto e transformá-lo em planejamento.

A Nova Energia acompanha diariamente os indicadores do setor para que sua empresa tome decisões com clareza e previsibilidade. Se você quer entender como o cenário atual se aplica à realidade do seu negócio, fale com nossos especialistas.

Fontes