Resumo rápido

  • O vendaval que atingiu o Rio de Janeiro dias antes da publicação da reportagem (Agência Brasil, 04/08/2026), com rajadas de até 100 km/h, deixou moradores de algumas localidades mais de 30 horas sem energia elétrica
  • Segundo a Abradee, o investimento anual das distribuidoras em resiliência da rede subiu de R$ 18 bilhões (2021) para R$ 41 bilhões (2025)
  • Mais de 40% desse investimento vai para a modernização das redes, com foco em digitalização, automação e monitoramento em tempo real
  • A fiação subterrânea reduz o risco de apagão em temporais, mas custa até 10 vezes mais que a rede aérea convencional, e divide opiniões sobre quem deve arcar com o investimento
  • O setor se prepara para um possível Super El Niño no segundo semestre de 2026, com estação úmida mais intensa a partir de outubro no Sudeste e no Centro-Oeste

O que aconteceu com a rede elétrica no vendaval do Rio de Janeiro?

Rajadas de vento de até 100 km/h atingiram o Rio de Janeiro dias antes da publicação da reportagem da Agência Brasil, em 04/08/2026, e deixaram moradores de algumas localidades mais de 30 horas sem energia elétrica.

Enchentes, temporais e rajadas de vento intensas derrubam postes e árvores, arrebentam fios e, além de apagões, aumentam o risco de curto-circuito e incêndio na rede. Em entrevista à reportagem, o diretor de Regulação da Abradee, Ricardo Brandão, reconheceu que o cenário é de dificuldades crescentes: "a gente, de fato, está enfrentando uma mudança que piora muito as condições climáticas".

Quanto as distribuidoras de energia estão investindo em resiliência da rede?

O investimento anual das distribuidoras em resiliência mais que dobrou em quatro anos: de R$ 18 bilhões, em 2021, para R$ 41 bilhões, em 2025, segundo dados da Abradee.

Mais de 40% desse total é direcionado à modernização das redes, com foco principal em digitalização. O pacote de investimentos também inclui automação, monitoramento em tempo real, implantação de redes inteligentes, inspeções preventivas, manutenção baseada em risco e reforço estrutural de equipamentos, além do enterramento de redes quando viável.

Como a modernização da rede reduz o impacto dos apagões durante tempestades?

A digitalização não evita que uma árvore, ao cair sobre a rede, provoque um desligamento, mas dá à distribuidora opções mais eficientes de resposta (Fonte: Agência Brasil, 04/08/2026). Segundo Ricardo Brandão, "a distribuidora consegue fazer manobras para isolar esse problema em determinadas áreas, sem ter que desligar, por exemplo, um bairro inteiro".

A comunicação também avançou nos dois sentidos. Do lado público, o diretor da Abradee cita a articulação com prefeituras, Defesa Civil e Corpo de Bombeiros para a retirada de árvores que caem sobre a rede aérea. Do lado do consumidor, ele destaca que "as distribuidoras mandam mensagens diretamente para o consumidor quando o Centro de Operações detecta que ele está sem energia, para que não precise ligar para o call center da empresa", já informando, preferencialmente, uma estimativa de recomposição da rede.

Por que a fiação subterrânea divide opiniões entre especialistas e o setor?

A fiação subterrânea reduz a exposição da rede a vendavais e quedas de árvores, mas exige um investimento até dez vezes maior que o da rede aérea convencional.

Ricardo Brandão, da Abradee, defende que esse investimento seja feito pelo poder público, dentro do planejamento urbanístico de cada cidade, com o custo distribuído entre todos os clientes da área concedida quando um bairro recebe fiação subterrânea: "esse é um investimento que não faz sentido ser feito com recursos da distribuidora, porque o impacto na tarifa é muito elevado. Uns se beneficiam, e a maioria paga sem se beneficiar por isso".

Já o professor Edson Watanabe, do Programa de Engenharia Elétrica da Coppe/UFRJ, atribui a responsabilidade por esses custos às próprias concessionárias de energia: "seria bom se houvesse um pouco mais de atividade do lado das concessionárias. Se ficar parado, como a gente anda, vai ser ainda pior".

O que é o Super El Niño e como o setor elétrico está se preparando?

Situações climáticas extremas exigem o acionamento de planos de contingência das distribuidoras, regulados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Essa preparação já está em curso diante da expectativa de um possível Super El Niño, esperado para afetar o clima na América do Sul no segundo semestre de 2026.

"As distribuidoras estão se preparando, investindo em treinamento de equipes, equipamentos, veículos, para enfrentar o que poderá ocorrer no segundo semestre", afirmou Ricardo Brandão. Segundo ele, quando chegar a estação úmida, que no Sudeste e no Centro-Oeste começa em outubro, são esperados eventos mais intensos do que os enfrentados no passado.

Uma das estratégias de resposta é o compartilhamento de equipes entre distribuidoras de diferentes regiões, como ocorreu durante as enchentes no Rio Grande do Sul, em 2024, e, em menor escala, após o vendaval mais recente em São Paulo, quando a limitação de distribuidoras vizinhas também afetadas reduziu a capacidade de apoio mútuo. Segundo Brandão, esse mecanismo de cooperação está previsto na regulação da Aneel.

Perguntas frequentes

Por que eventos climáticos extremos aumentam o risco de apagão? Enchentes, temporais e rajadas de vento intensas derrubam postes e árvores e arrebentam fios da rede elétrica, o que provoca desligamentos e eleva o risco de curto-circuito e incêndio na rede.

Quanto as distribuidoras de energia investem em resiliência da rede elétrica? Segundo a Abradee, o investimento anual do setor em resiliência subiu de R$ 18 bilhões, em 2021, para R$ 41 bilhões, em 2025, dos quais mais de 40% vão para a modernização das redes, com foco em digitalização.

Fiação subterrânea evita apagões durante temporais? Ela reduz a exposição da rede a vendavais e quedas de árvores, mas custa até dez vezes mais que a rede aérea. Por isso, divide opiniões entre a Abradee, que defende investimento público via planejamento urbanístico, e pesquisadores que atribuem a responsabilidade às distribuidoras.

O que é o Super El Niño e o que ele significa para o fornecimento de energia? É um fenômeno climático de intensidade forte a muito forte esperado para o segundo semestre de 2026 na América do Sul. As distribuidoras já vêm se preparando com treinamento de equipes, equipamentos e planos de contingência regulados pela Aneel.

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