Notícias do Setor
26 de outubro, 2026
LEITURA DE 4MIN
Eletrificação já evitou US$ 20 bi em gastos com petróleo e coloca a energia elétrica em destaque.
Carros elétricos substituíram cerca de 200 milhões de barris de petróleo entre março e agosto de 2026 e pouparam US$ 20 bilhões a países importadores, segundo a Ember. Veja o que explica esse movimento, onde o Brasil aparece e como a eletrificação afeta o planejamento do custo de energia das empresas.

A crise de abastecimento de petróleo provocada pela guerra no Oriente Médio trouxe um efeito que vai além do preço do combustível na bomba. Segundo levantamento do think tank Ember, divulgado em 14 de outubro, a frota de carros elétricos substituiu o consumo de cerca de 200 milhões de barris de petróleo bruto entre março e agosto de 2026. Para os países importadores, isso representou uma economia estimada em US$ 20 bilhões nos seis primeiros meses da crise.
O dado mostra uma mudança de fundo: à medida que o transporte troca combustível por eletricidade, a exposição ao preço do petróleo diminui e a importância da energia elétrica cresce. Para as empresas, essa transição também é uma questão de planejamento de custo.
O que mostra o levantamento da Ember sobre carros elétricos e petróleo?
O levantamento mostra que a eletrificação da frota já reduz, de forma mensurável, a dependência de petróleo importado. A Ember acompanha mensalmente as vendas de carros novos em 56 países e calcula quanto petróleo a frota elétrica de cada um deixa de consumir. O valor em dólares é obtido multiplicando o volume deslocado em cada mês pelo preço médio do Brent no mesmo período.
Dos US$ 20 bilhões estimados, US$ 16,5 bilhões vieram dos carros 100% elétricos, movidos a bateria. O restante veio dos híbridos plug-in, que também usam motor a combustão e, por isso, deslocam menos petróleo do que os fabricantes costumam indicar.
A distribuição é concentrada. A China respondeu por cerca de US$ 14 bilhões, aproximadamente três quartos do total. Os países da União Europeia somaram US$ 3,1 bilhões, com Alemanha e França à frente.
Por que a crise no Oriente Médio acelerou a eletrificação?
A crise acelerou a eletrificação porque tornou o custo do combustível mais alto e mais imprevisível. A guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã afetou o fluxo de petróleo e derivados pelo Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de abastecimento do mundo.
Desde o início do ano, o Brent fechou acima de US$ 100 por barril em mais de 60 pregões, algo que não acontecia desde 2022. Na manhã de 14 de outubro, o barril era negociado a US$ 105,94. Diesel e gasolina subiram ainda mais do que o petróleo bruto, inclusive em países com produção própria.
O resultado aparece nas vendas. Entre janeiro e agosto de 2026, as vendas globais de carros elétricos a bateria cresceram 11% em relação ao mesmo período de 2025, enquanto as de híbridos plug-in caíram 12% e as de carros a combustão recuaram 6%. Os elétricos a bateria passaram a representar 18% das vendas de carros novos no mundo, contra 16% um ano antes. Dos 56 países acompanhados pela Ember, 49 bateram recorde de participação dos elétricos em 2026.
Onde o Brasil aparece nesse movimento?
O Brasil aparece entre os mercados que mais avançaram em 2026. Segundo a Ember, o país está entre os 15 que ultrapassaram os Estados Unidos pela primeira vez na participação dos carros elétricos a bateria nas vendas totais. Nos Estados Unidos, essa fatia ficou em 6% entre janeiro e agosto.
No mercado interno, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) registrou recorde de participação dos carros elétricos nos emplacamentos de agosto, com 24,4% do total.
A Ember também destaca que o avanço das vendas no Brasil é acompanhado pelo crescimento da fabricação nacional, com nova capacidade produtiva instalada no país e regras de conteúdo local que estimulam esse investimento. Isso indica uma tendência estrutural, e não apenas uma reação pontual ao preço do combustível.
O que muda quando o transporte passa a depender da eletricidade?
Muda a fonte de risco. Enquanto o custo do transporte estiver ligado ao petróleo, ele acompanha o mercado internacional, as tensões geopolíticas e o câmbio. Quando o veículo passa a ser abastecido na tomada, o custo se aproxima da lógica do setor elétrico brasileiro.
E essa lógica é diferente. O preço da energia elétrica no Brasil depende principalmente das chuvas, do nível dos reservatórios, do despacho das usinas e das regras de formação de preço, refletidas no Preço de Liquidação das Diferenças (PLD). É um risco que não desaparece, mas que pode ser acompanhado, medido e gerenciado com instrumentos próprios do setor elétrico, como contratos de prazo definido no mercado livre de energia.
Para uma empresa com frota de entrega, operação logística ou carregadores para veículos de clientes e colaboradores, isso significa que parte do gasto que antes estava no combustível passa a aparecer na conta de energia elétrica.
Como a eletrificação pressiona a demanda por energia no Brasil?
A eletrificação é um dos vetores que devem fazer o consumo de eletricidade crescer de forma consistente na próxima década. O Plano Decenal de Expansão de Energia 2036 (PDE 2036), elaborado pelo Ministério de Minas e Energia (MME) e pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e colocado em consulta pública em outubro, projeta crescimento médio de 3,4% ao ano no consumo de eletricidade, chegando a 979 TWh em 2036.
A eletromobilidade divide esse papel com outros novos usos, como data centers e produção de hidrogênio. Na prática, mais setores da economia passam a disputar a mesma energia, o que exige expansão da geração e da transmissão e torna mais relevante a forma como cada empresa contrata seu suprimento.
O que isso significa para o custo de energia das empresas?
Significa que a energia elétrica tende a ganhar peso no orçamento de mais empresas, e não apenas nas indústrias que já são grandes consumidoras. Quando um insumo ganha relevância, a forma de comprá-lo passa a importar tanto quanto o preço do dia.
A crise do petróleo mostra o custo de depender de um insumo sem previsibilidade. Países que estruturaram sua transição com antecedência estão mais protegidos dos choques atuais. A mesma lógica vale para as empresas: quem conhece seu perfil de consumo e planeja a contratação de energia com antecedência atravessa mudanças de mercado com mais clareza do que quem reage a cada variação de preço.
Isso não significa que uma modalidade de contratação seja sempre melhor do que outra. O resultado depende do perfil de consumo, do prazo, do momento de mercado e do apetite de risco de cada empresa.
Como a sua empresa pode se planejar para essa transição?
O primeiro passo é entender o próprio consumo. Antes de eletrificar uma frota ou ampliar a carga elétrica, vale responder a algumas perguntas:
- Quanto a empresa consome hoje e em quais horários?
- Quanto esse consumo deve crescer com novos equipamentos, veículos ou carregadores?
- A empresa está no mercado regulado ou no mercado livre de energia?
- Qual parcela do custo de energia é previsível e qual fica exposta a bandeiras tarifárias e reajustes?
Com essas respostas, é possível avaliar alternativas de contratação, como fixar preço por um período, ajustar volumes ao crescimento esperado e acompanhar o mercado de forma contínua. Estruturar essa decisão exige leitura de mercado, análise regulatória e acompanhamento depois da assinatura do contrato.
A eletrificação vai mudar a forma como as empresas consomem energia, e quem planeja com antecedência atravessa essa transição com mais previsibilidade. A Nova Energia assume o mercado livre de energia pela sua empresa e continua do seu lado depois do contrato, acompanhando as mudanças do setor e do seu próprio consumo.
Fale com um especialista e comece pela análise das suas faturas.
Fontes
- eixos, comece seu dia: Veículos elétricos deslocam US$ 20 bi em gastos com petróleo após crise no Oriente Médio (14/10/2026)
- Ember: Electric energy security: how EVs are reducing oil import vulnerabilities (14/10/2026)
- eixos, diálogos da transição: Eletrificação cria nova corrida por energia no Brasil até 2036 (08/10/2026)
26 de fevereiro, 2026Notícias do Setor
Reservatórios do Sudeste e Centro-Oeste devem encerrar fevereiro em 58,4%
A projeção mais recente do Operador Nacional do Sistema Elétrico indica que os reservatórios do subsistema Sudeste/Centro-Oeste devem fechar o mês de fevereiro com armazenamento de 58,4%. O volume reforça o acompanhamento constante das condições hidrológicas, que seguem como fator central para o planejamento da operação do Sistema Interligado Nacional.

