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04 de agosto, 2026
LEITURA DE 4MIN
Indústria acelera adesão ao Mercado Livre de Energia: 41% migraram desde 2024, aponta sondagem da CNI
Sondagem da CNI mostra que 41% das indústrias migraram ao Mercado Livre de Energia desde 2024 e 73% das migradas relatam redução de custos com tarifas.
Resumo rápido
- A Sondagem Especial nº 103 "Indústria e Energia 2026", da CNI, ouviu 1.498 indústrias dos setores extrativo e de transformação entre 1º e 10 de abril de 2026
- 41% das empresas pesquisadas afirmam que migraram para o Mercado Livre de Energia a partir de 2024, após a Portaria 50/2022 do MME
- Entre as empresas que seguem no mercado cativo e são atendidas em baixa tensão, 37% têm interesse em migrar
- Das indústrias que já migraram, 73% relatam diminuição dos custos com as tarifas de energia elétrica
- A energia elétrica é a principal fonte de energia para 79% da indústria brasileira e o principal insumo para 76% das empresas de grande porte
Migração ao Mercado Livre de Energia: o que a sondagem da CNI revelou
Segundo os dados divulgados pela CNI em 30/07/2026, 41% das indústrias brasileiras migraram para o Mercado Livre de Energia nos últimos dois anos. O marco desse movimento é a Portaria 50/2022 do MME, que permitiu que, a partir de 2024, todas as empresas atendidas em alta tensão pudessem escolher onde contratar sua energia, independentemente do porte.
O levantamento, batizado de Sondagem Especial nº 103 "Indústria e Energia 2026", consultou 1.498 indústrias dos setores extrativo e de transformação, entre pequenas, médias e grandes, com coleta realizada de 1º a 10 de abril de 2026. Entre as empresas de grande porte, atendidas em alta tensão, 63% já compram energia no ambiente livre.
Quem ainda está no mercado cativo quer migrar para o Mercado Livre de Energia?
Uma parcela relevante, sim. Entre as indústrias que permanecem no mercado cativo, adquirindo energia da distribuidora local, e que são atendidas em baixa tensão, 37% confirmaram interesse em mudar de ambiente de contratação.
O principal motivo apontado é a busca por custos menores com energia elétrica, despesa que influencia diretamente o custo de produção. A percepção de quem já fez a mudança reforça esse cálculo: 73% das empresas que migraram relatam redução dos custos com as tarifas, e a faixa de economia mais citada fica entre 10% e 20%, mencionada por 23% das indústrias respondentes. A migração ao ambiente livre aparece ainda como a principal estratégia de redução do custo energético para 30% das empresas pesquisadas.
Por que o preço da energia pesa tanto na indústria?
A energia elétrica segue como a principal fonte de energia utilizada no processo produtivo de 79% das indústrias brasileiras. Entre as empresas de grande porte, 76% apontam como principal insumo, o que torna seu preço um fator determinante para a competitividade dos produtos nacionais. Para 83% das empresas ouvidas, o custo da energia elétrica é importante para a competitividade do negócio.
O gerente de Energia da CNI, Roberto Wagner Pereira, avalia que os dados demonstram que "o caminho escolhido pelas empresas para diminuir as tarifas passa pela migração ao mercado livre". Ele defende ainda "melhorar o sinal de preços com a adoção de tarifas dinâmicas, que possam variar de acordo com a geração, o horário e a demanda dos consumidores", e acrescenta, em nota: "Associado a isso é imprescindível revisarmos a grande quantidade de subsídios que encarecem a conta de energia".
Perguntas frequentes
O que permitiu essa onda de migração da indústria para o Mercado Livre de Energia?
A Portaria 50/2022 do MME, que autorizou, a partir de 2024, a migração de todas as empresas atendidas em alta tensão, independentemente do porte. Segundo a sondagem da CNI, 41% das indústrias pesquisadas fizeram essa opção desde então.
Empresas que migraram para o Mercado Livre de Energia realmente reduziram custos?
De acordo com a pesquisa da CNI, 73% das indústrias que migraram relatam diminuição dos custos com as tarifas de energia elétrica. A faixa de redução mais citada fica entre 10% e 20%. Os resultados variam conforme o perfil de consumo de cada empresa.
Quem está no mercado cativo em baixa tensão já pode migrar?
A sondagem mostra que 37% das indústrias nessa condição têm interesse na mudança de ambiente de contratação. A CNI também aponta, de forma mais ampla, que parte das empresas no mercado cativo ainda avalia a possibilidade ou carece de informação sobre o tema, o que evidencia espaço para ampliar a discussão no setor industrial.
