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08 de julho, 2025
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Brasil tem clara vantagem para liderar transição energética, apontam especialistas
Especialistas destacam a vantagem do Brasil na transição energética, mas alertam para desafios. Saiba o que isso significa para o futuro do setor.
Rio - O Brasil possui uma vantagem incontestável para liderar a transição energética global, mas precisa superar desafios internos de planejamento e evitar retrocessos legislativos para concretizar seu potencial. Essa foi a conclusão central de especialistas que participaram do evento “COP30 Amazônia, transição energética e mercado de carbono”, realizado no dia 18 de junho, no Rio, pelos jornais Valor e O GLOBO e pela rádio CBN.
Os participantes destacaram a posição singular do país: enquanto a matriz energética das nações da OCDE é composta por apenas 15% de fontes renováveis, a do Brasil atinge 50%. O número é ainda mais expressivo no setor elétrico, onde a capacidade instalada de geração limpa beira os 90%.
Oportunidades na reindustrialização verde
Para Elbia Gannoum, presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica e Novas Tecnologias (Abeeólica), o Brasil chega à COP30, que será sediada em Belém, em um momento estratégico. O país discute uma reindustrialização baseada em indústrias verdes, que utilizam energia renovável em seus processos produtivos.
Segundo Gannoum, a aprovação de marcos legais recentes para hidrogênio verde, eólicas offshore e a criação de um mercado de carbono regulado fortalecem este caminho. "Consigo enxergar mais oportunidades do que desafios, justamente porque o Brasil pode ser um importante provedor de soluções para transição energética e atrair investimentos", afirmou.
Alertas contra a complacência e a falta de planejamento
Apesar do otimismo, foram feitos alertas. Bárbara Rubim, vice-presidente do conselho diretor da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), advertiu que a posição confortável do Brasil pode ser um risco. "Nossa excelência pode ser nosso principal inimigo na transição energética", disse, criticando a falta de continuidade na execução de planos e a busca constante pela "próxima grande coisa" sem consolidar o que já foi planejado.
Rubim também apontou que as novas fronteiras do setor se concentram em tecnologias como hidrogênio verde, armazenamento de energia e a crescente demanda dos data centers.
Ricardo Baitelo, gerente de projetos do Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA), descreveu o crescimento da energia solar como "impressionante", saltando de 10 GW em 2020 para quase 60 GW em 2025. No entanto, ele apontou para o desafio de gerenciar a intermitência de fontes como a eólica e a solar. "Temos que entender como reduzimos as perdas com cortes de energias renováveis", ponderou, referindo-se à necessidade de desligar usinas quando a geração excede a capacidade da rede.
Baitelo também mencionou a complexidade dos sistemas isolados na Amazônia como uma das maiores dificuldades para uma transição energética justa e abrangente no país.
Críticas a "jabutis" e subsídios
Um ponto de forte crítica entre os palestrantes foi a inserção de "jabutis" — emendas sem relação com o tema principal — em projetos de lei do setor. A recente derrubada de vetos presidenciais no marco das eólicas offshore foi citada como exemplo. Segundo estimativas de mercado, a medida pode encarecer as contas de luz em R$ 197 bilhões nos próximos 25 anos.
Elbia Gannoum foi enfática ao afirmar que o setor produtivo de energia não necessita de novos subsídios. "Não faz mais sentido", concluiu, defendendo que tais medidas prejudicam a competitividade e desviam o foco da transição para uma economia de baixo carbono.
Fonte: O Globo
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