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23 de abril, 2026
LEITURA DE 4MIN
Setor elétrico debate nível dos reservatórios e impacto nas tarifas em 2026
Discussão sobre operação dos reservatórios e acionamento térmico opõe agentes do setor e pode impactar tarifas de energia.
Consulta pública discute regra que influencia operação das hidrelétricas e custo da energia no país
O setor elétrico brasileiro discute, em 2026, uma possível revisão dos parâmetros que orientam a operação dos reservatórios das usinas hidrelétricas. A decisão pode afetar diretamente os custos de geração, o acionamento de usinas termelétricas e, consequentemente, as tarifas pagas pelos consumidores nos próximos anos.
O tema está em análise na Consulta Externa 001/2026, conduzida pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). O processo avalia se o sistema deve manter o atual grau de cautela na gestão dos reservatórios ou adotar critérios mais flexíveis para a operação energética.
O que está em debate
Na prática, a discussão envolve quanto de água deve permanecer armazenada nos reservatórios e em quais condições será necessário ampliar o uso de usinas termelétricas, normalmente associadas a custos mais elevados no sistema.
Impactos operacionais possíveis
- Preservar maior volume de água nos reservatórios tende a ampliar o uso de geração térmica
- Utilizar mais água armazenada pode reduzir custos no curto prazo
- Níveis menores de armazenamento podem reduzir a margem de segurança em cenários adversos
O papel do parâmetro CVaR
No centro do debate está o CVaR, indicador utilizado nos modelos computacionais do setor para calibrar o nível de aversão ao risco na operação do sistema elétrico.
Esse parâmetro ajuda a definir o equilíbrio entre custo e segurança energética, orientando decisões sobre o uso da geração hidrelétrica e o despacho de térmicas.
Um modelo mais conservador:
- Mantém maior volume nos reservatórios
- Amplia o acionamento térmico
- Eleva o custo operacional
Um modelo mais flexível:
- Utiliza mais água armazenada
- Reduz a necessidade de térmicas no curto prazo
- Pode diminuir os custos imediatos da energia
Agentes defendem redução de custos
Comercializadoras, empresas de fontes renováveis e entidades de consumidores defendem revisão dos parâmetros atuais. Segundo esse grupo, o sistema estaria operando com nível de cautela acima do necessário, o que elevaria custos e ampliaria restrições operacionais, como cortes de geração renovável.
As estimativas apresentadas apontam:
- Economia de até R$ 6,6 bilhões por ano
- Redução de 1,12% nas tarifas de energia
- Menor volatilidade do PLD
- Redução do curtailment de fontes renováveis
Geradoras defendem manutenção da cautela
As geradoras, especialmente as hidrelétricas, defendem a manutenção das regras atuais. Segundo esse grupo, reduzir o nível de proteção pode ampliar a exposição do sistema em períodos de seca ou maior demanda.
A Abrage cita como referência a crise hídrica de 2021. Segundo a entidade, os custos daquele período alcançaram cerca de R$ 28 bilhões em encargos pagos pelos consumidores.
As empresas também destacam a mudança estrutural da matriz elétrica, com maior presença de fontes renováveis que nem sempre entregam potência firme e flexibilidade nos momentos de maior demanda.
Decisão deve ocorrer até 20 de maio de 2026
A definição final caberá ao Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), que deverá se manifestar até 20 de maio de 2026 sobre os parâmetros a serem aplicados a partir de 2027.
O ONS informou que seu papel, ao lado da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) e da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), é técnico, com a elaboração de estudos para subsidiar a decisão do comitê.
O que essa decisão pode significar
A discussão sobre os reservatórios vai além de uma questão operacional. O debate envolve como equilibrar modicidade tarifária, segurança no abastecimento e previsibilidade para o setor elétrico.
A decisão do governo poderá influenciar tarifas, dinâmica de preços, gestão de risco e a operação do sistema elétrico brasileiro nos próximos anos.
Fonte: CNN Brasil
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