Consulta pública discute regra que influencia operação das hidrelétricas e custo da energia no país

O setor elétrico brasileiro discute, em 2026, uma possível revisão dos parâmetros que orientam a operação dos reservatórios das usinas hidrelétricas. A decisão pode afetar diretamente os custos de geração, o acionamento de usinas termelétricas e, consequentemente, as tarifas pagas pelos consumidores nos próximos anos.

O tema está em análise na Consulta Externa 001/2026, conduzida pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). O processo avalia se o sistema deve manter o atual grau de cautela na gestão dos reservatórios ou adotar critérios mais flexíveis para a operação energética.

O que está em debate

Na prática, a discussão envolve quanto de água deve permanecer armazenada nos reservatórios e em quais condições será necessário ampliar o uso de usinas termelétricas, normalmente associadas a custos mais elevados no sistema.

Impactos operacionais possíveis

  • Preservar maior volume de água nos reservatórios tende a ampliar o uso de geração térmica
  • Utilizar mais água armazenada pode reduzir custos no curto prazo
  • Níveis menores de armazenamento podem reduzir a margem de segurança em cenários adversos

O papel do parâmetro CVaR

No centro do debate está o CVaR, indicador utilizado nos modelos computacionais do setor para calibrar o nível de aversão ao risco na operação do sistema elétrico.

Esse parâmetro ajuda a definir o equilíbrio entre custo e segurança energética, orientando decisões sobre o uso da geração hidrelétrica e o despacho de térmicas.

Um modelo mais conservador:

  • Mantém maior volume nos reservatórios
  • Amplia o acionamento térmico
  • Eleva o custo operacional

Um modelo mais flexível:

  • Utiliza mais água armazenada
  • Reduz a necessidade de térmicas no curto prazo
  • Pode diminuir os custos imediatos da energia

Agentes defendem redução de custos

Comercializadoras, empresas de fontes renováveis e entidades de consumidores defendem revisão dos parâmetros atuais. Segundo esse grupo, o sistema estaria operando com nível de cautela acima do necessário, o que elevaria custos e ampliaria restrições operacionais, como cortes de geração renovável.

As estimativas apresentadas apontam:

  • Economia de até R$ 6,6 bilhões por ano
  • Redução de 1,12% nas tarifas de energia
  • Menor volatilidade do PLD
  • Redução do curtailment de fontes renováveis

Geradoras defendem manutenção da cautela

As geradoras, especialmente as hidrelétricas, defendem a manutenção das regras atuais. Segundo esse grupo, reduzir o nível de proteção pode ampliar a exposição do sistema em períodos de seca ou maior demanda.

A Abrage cita como referência a crise hídrica de 2021. Segundo a entidade, os custos daquele período alcançaram cerca de R$ 28 bilhões em encargos pagos pelos consumidores.

As empresas também destacam a mudança estrutural da matriz elétrica, com maior presença de fontes renováveis que nem sempre entregam potência firme e flexibilidade nos momentos de maior demanda.

Decisão deve ocorrer até 20 de maio de 2026

A definição final caberá ao Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), que deverá se manifestar até 20 de maio de 2026 sobre os parâmetros a serem aplicados a partir de 2027.

O ONS informou que seu papel, ao lado da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) e da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), é técnico, com a elaboração de estudos para subsidiar a decisão do comitê.

O que essa decisão pode significar

A discussão sobre os reservatórios vai além de uma questão operacional. O debate envolve como equilibrar modicidade tarifária, segurança no abastecimento e previsibilidade para o setor elétrico.

A decisão do governo poderá influenciar tarifas, dinâmica de preços, gestão de risco e a operação do sistema elétrico brasileiro nos próximos anos.

Fonte: CNN Brasil


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