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02 de abril, 2026
LEITURA DE 4MIN
Reforma do setor elétrico prevê abertura total do mercado de energia até 2028
Lei 15.269 de 2025 redefine regras do setor elétrico brasileiro, amplia concorrência e prevê abertura total do mercado de energia até 2028.
Novo marco legal transforma o funcionamento do setor
O novo marco legal do setor elétrico brasileiro, consolidado pela Lei 15.269 de 2025, estabelece mudanças estruturais na forma como a energia é produzida, comercializada e consumida no país.
A avaliação é de especialistas que participaram de debate promovido pelo Estadão Blue Studio em parceria com a Deloitte, que analisou os impactos da nova legislação sobre o funcionamento do mercado de energia.
A reforma ocorre em um momento em que o setor elétrico assume papel relevante na competitividade industrial, na expansão econômica e no avanço da transição energética.
Entre os principais pontos estão a abertura total do mercado de energia até 2028, novas regras para autoprodução e a criação de instrumentos voltados à modernização da matriz elétrica.
Abertura do mercado amplia acesso e muda a dinâmica do setor
Segundo especialistas, a principal mudança da nova legislação está na ampliação da concorrência e na possibilidade de escolha por parte do consumidor.
Atualmente, consumidores residenciais adquirem energia diretamente das distribuidoras. Com a abertura prevista, esse público também poderá escolher de quem comprar energia, modelo que hoje já é adotado por empresas de maior porte.
A mudança altera de forma significativa a dinâmica do setor elétrico e exige uma transição estruturada, com desenvolvimento de sistemas, tecnologia e novas operações de mercado.
Transição exigirá novas estruturas e organização do mercado
A implementação do novo modelo demandará a criação e o aprimoramento de diversas estruturas operacionais.
Além disso, especialistas ressaltam a importância da comunicação clara para orientar os consumidores, que ainda não estão habituados a escolher fornecedores de energia.
Sem esse direcionamento, há risco de assimetria de informação e menor adesão ao mercado livre.
Migração deve ocorrer de forma gradual
O Brasil possui atualmente cerca de 90 milhões de unidades consumidoras, o que torna o processo de abertura do mercado um desafio operacional relevante.
A expectativa é que a migração ocorra de forma gradual. Estimativas indicam que aproximadamente 7 milhões de unidades consumidoras podem migrar inicialmente, principalmente consumidores industriais e comerciais.
Os próximos anos, especialmente entre 2026 e 2027, devem concentrar avanços regulatórios e tecnológicos conduzidos pelo Ministério de Minas e Energia, pela Agência Nacional de Energia Elétrica e pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica.
Mecanismos de segurança serão essenciais para o novo modelo
Com a ampliação do número de agentes no mercado, cresce a necessidade de garantir a continuidade do fornecimento de energia.
Um dos principais instrumentos previstos é o supridor de última instância, responsável por assumir a carga em situações de estresse do mercado, como falência de comercializadoras ou inadimplência de consumidores.
Esse modelo já é utilizado em mercados internacionais e passa a integrar a estrutura do setor elétrico brasileiro como mecanismo de segurança.
Expansão das renováveis traz desafios ao sistema elétrico
O avanço das fontes renováveis também foi apontado como um fator que traz novos desafios ao funcionamento do sistema elétrico.
Entre eles está o curtailment, situação em que usinas precisam reduzir a geração devido a limitações da rede.
Especialistas destacam que a nova legislação pode contribuir para aumentar a previsibilidade do setor, desde que seja acompanhada por regulamentação adequada e alinhada às necessidades operacionais.
Novas regras estabelecem critérios para autoprodução
A reforma também define critérios mínimos para o modelo de autoprodução de energia, incluindo exigências de participação societária e limites de demanda.
Segundo especialistas, a exigência de participação mínima de 30% busca garantir maior comprometimento do consumidor com o projeto.
Por outro lado, o limite mínimo de demanda de 30 megawatts pode restringir o acesso de empresas de médio porte a esse modelo, o que pode levar essas companhias a buscar alternativas de contratação de energia.
Setor elétrico caminha para um ambiente mais aberto e estruturado
Com a abertura total do mercado prevista até 2028, o setor elétrico brasileiro deve evoluir para um ambiente mais competitivo, com maior participação de diferentes agentes e ampliação das possibilidades de contratação de energia.
A implementação da nova legislação dependerá da evolução regulatória, da criação de estruturas operacionais adequadas e da capacidade de adaptação dos agentes ao novo modelo.
Nos próximos anos, a forma como essa transição será conduzida será determinante para consolidar um mercado mais aberto, organizado e funcional no país.
Fonte: Estadão
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