Notícias do Setor
15 de setembro, 2026
LEITURA DE 4MIN
Período úmido derruba o preço da energia no mercado livre. Mas até quando?

Por que o preço da energia caiu no início do período úmido?
O preço caiu porque as chuvas dos primeiros dias de setembro no Sudeste e no Centro-Oeste mantiveram os reservatórios das hidrelétricas em nível confortável, e reservatório cheio significa energia mais barata no mercado livre. Como boa parte da geração brasileira ainda é hídrica, quando chove nas bacias certas o sistema aciona menos usinas térmicas (mais caras) e o preço de curto prazo cede.
O movimento apareceu direto na curva de preços negociada na BBCE, principal referência do mercado livre. Em uma semana, o produto para setembro passou de R$ 164/MWh para R$ 147/MWh, e o de outubro recuou de R$ 193/MWh para R$ 162/MWh, segundo levantamento divulgado pela imprensa especializada (Broadcast/Estadão).
Do lado do armazenamento, o Operador Nacional do Sistema (ONS) projeta encerrar setembro com o subsistema Sudeste/Centro-Oeste em 55,8% de energia armazenada (EAR) e com afluências (ENA) em torno de 119% da média histórica na região, conforme o Programa Mensal de Operação (PMO).
O que é o período úmido e por que ele mexe no custo da sua empresa?
O período úmido é a estação de chuvas que abastece as principais bacias hidrelétricas do país, concentrada, no Sudeste e Centro-Oeste, entre outubro e março. É nesse intervalo que o sistema "recarrega" os reservatórios que vão sustentar a geração no resto do ano.
Para uma empresa no mercado livre, entender esse calendário não é curiosidade climática: é gestão de custo. É o comportamento das chuvas que orienta o Preço de Liquidação das Diferenças (PLD) e a percepção de risco embutida nos contratos de energia. Ler o período úmido com clareza é o que separa uma decisão de contratação bem calibrada de uma aposta no acaso.
Se as chuvas estão boas, por que os meteorologistas pedem cautela?
Porque o cenário favorável de setembro pode não se sustentar por todo o verão. Os especialistas alertam para o aumento de dias sem chuva e para a elevação das temperaturas nos próximos meses, o que reintroduz risco justamente na reta final do período úmido.
O ponto de atenção é a irregularidade. Para o Climatempo, o início da estação tende a ser mais úmido por influência do El Niño, mas com chuvas bem menos regulares, e dezembro deve vir mais seco no Sudeste. A Tempo OK projeta redução progressiva das precipitações de setembro a novembro, com foco deslocando-se para a bacia do Iguaçu e do Paraná. A Nottus, por outro lado, ainda vê chuvas acima do normal até dezembro em São Paulo, no centro-sul de Minas, no Rio de Janeiro e no Mato Grosso do Sul. A leitura não é consensual, e é aí que mora o risco.
Há ainda uma concentração que aumenta a volatilidade: cerca de 75% da energia natural afluente do Sudeste/Centro-Oeste em outubro está na bacia do Paraná. Quando a chuva depende tanto de uma única região, qualquer frustração ali pesa rápido no preço.
O que essa oscilação significa para o seu contrato de energia?
Significa que o momento de contratar importa tanto quanto o preço em si. A própria curva da BBCE mostra o mercado precificando a cautela: enquanto setembro é negociado a R$ 147/MWh, os produtos para dezembro e para o primeiro trimestre de 2027 aparecem bem mais altos, a R$ 262/MWh e R$ 288/MWh, respectivamente. Em outras palavras, o alívio de agora convive com um prêmio de risco para o fim do verão.
Essa é a natureza do mercado livre: ele oferece liberdade e economia, mas transfere para a empresa a decisão de quando e como se posicionar. Sem método, a mesma volatilidade que hoje derruba o preço pode, em poucas semanas, corroer a previsibilidade do seu orçamento.
Como mitigar risco de volatilidade para sua empresa sem tentar adivinhar o clima?
A resposta não é acertar a previsão do tempo, e sim ter estratégia de contratação. Empresas bem assessoradas usam janelas favoráveis, como a atual, para fixar preço nos momentos mais adequados e reduzir a exposição a picos de curto prazo, em vez de reagir ao mercado depois que o risco já virou custo.
Na prática, isso envolve acompanhar a curva de preços, dimensionar quanto da energia contratar em cada horizonte e ajustar a estratégia conforme o cenário evolui. É um trabalho técnico e contínuo, que não termina na assinatura do contrato. A energia livre entrega liberdade, mas o valor dela só aparece por inteiro quando vem acompanhada de clareza e de acompanhamento especializado.
Perguntas frequentes
O período úmido sempre derruba o preço da energia?
Não necessariamente. O período úmido tende a aliviar os preços quando as chuvas chegam nas bacias com maior capacidade de armazenamento e no volume esperado. Um período úmido irregular, ou concentrado em regiões de menor peso, pode manter os preços pressionados mesmo com chuva.
O que é o PLD e qual a relação com as chuvas?
O PLD (Preço de Liquidação das Diferenças) é o preço de referência da energia no curto prazo, calculado semanalmente. Ele é fortemente influenciado pela hidrologia: mais água nos reservatórios, em geral costuma significar PLD mais baixo; menos água aciona térmicas e tende a elevá-lo.
O que é a BBCE?
A BBCE é a bolsa onde se negociam contratos de energia no mercado livre. Os preços praticados nela funcionam como termômetro das expectativas do mercado para os próximos meses.
El Niño é bom ou ruim para o preço da energia?
Não há resposta única. Segundo os meteorologistas, o El Niño pode trazer um início de estação mais úmido no Sudeste, o que ajuda os preços, mas também torna as chuvas mais irregulares, aumentando a incerteza para o fim do verão.
Previsibilidade em vez de aposta
No mercado livre, ninguém controla o clima, mas é possível controlar a forma como a empresa se posiciona diante dele. A Nova Energia acompanha o mercado de energia de ponta a ponta e traduz a complexidade da hidrologia, dos submercados e da curva de preços em decisões simples de contratação, para que a sua empresa transforme oscilação em previsibilidade. E segue ao seu lado cuidando da sua conta pela sua empresa enquanto você cuida do seu negócio.
Fontes
- Início do período úmido anima setor elétrico, mas meteorologistas apontam cautela — InfoMoney (Broadcast/Estadão), 12/09/2026
- Período úmido chega com vontade ao SE; mercado faz as contas para o preço da energia — Paranoá Energia, 12/09/2026
- ONS prevê estabilidade dos reservatórios; Sul com 91,4% de EAR em setembro — Cenário Energia, 14/09/2026


