Resumo rápido

  • O ONS prepara um piloto do ERAG (Esquema Regional de Alívio de Geração), mecanismo que pode cortar automaticamente até 3 GW de geração de usinas solares remotas em situações de excesso de oferta 
  • O ERAG foi desenhado como o inverso do ERAC (Esquema Regional de Alívio de Carga), já usado pelo sistema: em vez de desligar cargas quando falta geração, o ERAG reduz geração quando sobra oferta
  • Um workshop entre ONS e distribuidoras está marcado para setembro de 2026, para apresentar a proposta e avaliar sua viabilidade operacional
  • A primeira etapa do ERAG tem previsão de rodar como projeto-piloto em uma distribuidora até o fim de 2026, com rollout ao longo de 2027 se os resultados confirmarem as expectativas
  • O mecanismo prioriza atuar sobre geração remota à frente do medidor, buscando evitar, na medida do possível, atingir cargas atrás do medidor

O que é o ERAG e como ele se compara a mecanismos que o ONS já usa?

O ERAG (Esquema Regional de Alívio de Geração) é um mecanismo automático que reduz a geração elétrica quando há excesso de oferta no sistema, desligando parte das usinas solares remotas de forma escalonada . Ele foi desenhado para funcionar de maneira semelhante ao ERAC (Esquema Regional de Alívio de Carga), já em operação no sistema elétrico brasileiro, mas em sentido oposto: enquanto o ERAC desliga cargas quando há perda de geração e risco à estabilidade do SIN, o ERAG atua no problema inverso, o excesso de oferta.

Segundo Zucarato, o mecanismo não representa uma novidade conceitual no setor: o sistema já utiliza esquemas automáticos de proteção capazes de desligar cargas de forma controlada, evitando que uma perturbação evolua para um apagão de grandes proporções. A diferença do ERAG está em deslocar essa lógica de proteção para o lado da geração.

Por que o ONS está desenvolvendo esse esquema agora?

A necessidade do ERAG surge do avanço da geração solar distribuída e do aprofundamento da chamada "curva do pato" no perfil de carga do sistema elétrico brasileiro . O termo descreve o aumento do vale de carga durante o período de maior geração solar, seguido de uma forte elevação da geração convencional no início da noite, quando a produção solar cai e a demanda sobe. Entre esses dois momentos, o sistema também precisa administrar rampas de geração cada vez maiores.

Para Zucarato, o desafio não está apenas no tamanho desse vale, mas na velocidade exigida para sair dele e atender ao pico noturno de consumo. Nesse cenário, segundo o diretor, os recursos centralizados de geração estão se aproximando do limite de sua capacidade de absorver o vale de carga, o que amplia a necessidade de mecanismos de flexibilidade e de maior participação dos recursos distribuídos na operação do sistema.

Como o corte de geração vai funcionar na prática?

O ERAG está sendo desenhado como uma das últimas linhas de defesa contra o excesso de oferta, acionada depois de esgotadas outras medidas disponíveis, incluindo o Plano de Gestão de Excedentes . A ideia é que, nesse ponto, o mecanismo desligue automaticamente determinadas usinas de forma escalonada, priorizando a geração remota localizada à frente do medidor e evitando, na medida do possível, atingir cargas conectadas atrás do medidor.

Em um cenário de excesso de oferta, se a frequência do sistema começar a subir, sinal de desequilíbrio entre geração e consumo, o ERAG poderá retirar parte da geração de forma automática e seletiva para restabelecer esse equilíbrio.

Quando o piloto começa e quais são os próximos passos?

Os aspectos técnicos do ERAG ainda estão sendo finalizados pelo ONS. Um workshop com as distribuidoras está previsto para setembro de 2026, com o objetivo de apresentar a proposta e avaliar sua viabilidade operacional junto a esse público . A expectativa do ONS é que uma primeira etapa do ERAG seja implementada em uma distribuidora, como projeto-piloto, ainda em 2026.

"O foco é minigeração remota, seremos o mais seletivo possível para não tirar carga acidentalmente. Vamos fazer um piloto até o final do ano [2026], e as coisas ocorrendo mais ou menos como esperado, fazer o 'rollout' ao longo de 2027", afirmou Zucarato.

O que o ERAG sinaliza sobre a operação do sistema elétrico daqui para frente?

O ERAG é parte de uma frente de trabalho mais ampla do ONS: a estruturação de um modelo com maior coordenação entre o operador central e os recursos distribuídos, por meio dos chamados DSOs (Distribution System Operators) . O objetivo dessa frente é ampliar a capacidade de observação, coordenação e controle sobre a geração distribuída conectada ao sistema.

Cortes automáticos já fazem parte da operação do SIN há anos, aplicados hoje sobre cargas em esquemas como o ERAC. A novidade do ERAG está em deslocar esse tipo de resposta automática também para o lado da geração, num momento em que a expansão solar distribuída e o aprofundamento da curva do pato pressionam a capacidade dos recursos centralizados de absorver o vale de carga do meio do dia. O piloto previsto para o fim de 2026 e o rollout projetado para 2027 devem mostrar, na prática, os limites operacionais dessa nova camada de flexibilidade.

Perguntas frequentes

O que é o ERAG (Esquema Regional de Alívio de Geração)? É um mecanismo que o ONS pretende testar a partir de um piloto até o fim de 2026, capaz de cortar automaticamente até 3 GW de geração de usinas solares remotas quando há excesso de oferta no sistema elétrico, funcionando como o inverso do ERAC, esquema já usado para aliviar carga.

Quando o piloto do ERAG começa e quando o mecanismo pode ser adotado de forma mais ampla? O ONS prevê um workshop com distribuidoras em setembro de 2026 e um projeto-piloto em uma distribuidora até o fim de 2026. Se os resultados confirmarem as expectativas, o rollout do mecanismo está projetado para ocorrer ao longo de 2027.

O ERAG pode afetar a geração instalada junto à própria unidade consumidora, atrás do medidor? Segundo o ONS, a prioridade do ERAG é atuar sobre a geração remota localizada à frente do medidor, evitando, na medida do possível, atingir cargas conectadas atrás do medidor.

Por que o ONS está criando esse mecanismo agora? O ERAG responde ao avanço da geração solar distribuída e ao aprofundamento da "curva do pato", perfil de carga com vale mais acentuado durante o dia e rampas de geração cada vez maiores para atender ao pico noturno. Segundo o ONS, os recursos centralizados estão se aproximando do limite de sua capacidade de absorver esse vale.

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