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25 de março, 2026
LEITURA DE 4MIN
Leilão de reserva de capacidade contrata 19 GW de potência com predominância de termelétricas
Primeira etapa do leilão de reserva de capacidade de 2026 contratou 19 GW em 100 projetos, com destaque para termelétricas e investimentos estimados em R$ 64 bilhões.
Contratação de potência no sistema elétrico
O primeiro leilão de reserva de capacidade de 2026 resultou na contratação de 19 gigawatts de potência no sistema elétrico brasileiro. O certame contou com 100 projetos vencedores e deve mobilizar investimentos estimados em aproximadamente R$ 64 bilhões. A maior parte da potência contratada foi proveniente de usinas termelétricas, que representaram cerca de 86 por cento do total contratado.
A contratação realizada no leilão segue a necessidade de expansão apontada pela Empresa de Pesquisa Energética no Plano Decenal de Expansão de Energia 2035. O volume contratado equivale a quase 10 por cento da capacidade atual de geração do Sistema Interligado Nacional.
Entre os projetos vencedores, a maior parte corresponde a novas usinas termelétricas, com destaque para empreendimentos movidos a gás natural. Também foram contratados projetos utilizando biometano e carvão.
Baixa competição no certame
O leilão apresentou deságio de 5,52 por cento em relação ao preço teto estabelecido. O resultado foi interpretado por parte do setor como sinal de baixa competição entre os projetos participantes, apesar de mais de 120 gigawatts de projetos terem sido cadastrados para disputar o certame.
Especialistas apontam que muitos empreendimentos cadastrados correspondiam ao mesmo projeto em diferentes anos de entrega, o que pode ter reduzido a efetiva competição.
Ainda assim, a contratação ficou próxima das expectativas de parte do mercado, embora existam questionamentos sobre a necessidade de contratar todo o volume já nesta etapa do processo.
Impacto estimado nas tarifas
O preço médio da potência contratada foi de R$ 2.334.731 por megawatt por ano. A Associação Brasileira dos Grandes Consumidores de Energia e Consumidores Livres estima que o resultado do leilão pode gerar impacto de aproximadamente R$ 40 bilhões por ano, com possível aumento de cerca de 10 por cento nas tarifas.
O governo contesta essa estimativa. Segundo o Ministério de Minas e Energia, a substituição de usinas termelétricas antigas por contratos mais flexíveis pode resultar em redução de até 24 por cento no custo das tarifas no longo prazo.
De acordo com o secretário executivo do ministério, Gustavo Ataíde, o preço final reflete o cenário atual do mercado internacional, marcado por pressões geopolíticas e dificuldades logísticas na cadeia de suprimentos de equipamentos.
Participação das empresas
Entre as empresas com maior participação no leilão estão Petrobras, Eneva e J&F, responsáveis por mais da metade da potência contratada a gás natural.
Alguns destaques do resultado incluem:
• Mais de 5 GW contratados pela Eneva
• 2,2 GW contratados pela Petrobras, com receita fixa anual estimada em cerca de R$ 4 bilhões
• Participação de projetos movidos a biometano e carvão
Expansão de hidrelétricas também aparece no leilão
O leilão também incluiu projetos de ampliação de usinas hidrelétricas, algo que não ocorria em grande escala há alguns anos.
A Copel liderou esse segmento com 1,86 GW destinados à expansão das usinas Foz da Areia e Areia, no Paraná.
Outros projetos contratados incluem:
• Ampliação da usina Luiz Gonzaga, da Axia, com aumento de 246,6 MW e investimento estimado em R$ 1 bilhão
• Expansão da usina São Simão, da Spic Brasil, em 310 MW, com investimento superior a R$ 1 bilhão
• Ampliação da usina Jaguara, da Engie, em 232 MW, com investimento aproximado de R$ 1,2 bilhão
Ambiente de expansão e desafios para o custo da energia
A realização do leilão ocorre em um momento de transição no planejamento da expansão do sistema elétrico brasileiro. O crescimento acelerado das fontes renováveis intermitentes, como solar e eólica, tem aumentado a necessidade de contratação de potência firme para garantir segurança operativa, especialmente nos períodos de baixa geração hidrológica e de menor disponibilidade dessas fontes.
Nesse contexto, os leilões de reserva de capacidade passam a ter papel central na confiabilidade do Sistema Interligado Nacional, mas também levantam discussões sobre o custo da expansão e a forma de alocação desses encargos entre os consumidores.
Parte dos agentes do mercado avalia que a contratação de grande volume em um único certame, combinada à baixa competição observada, pode pressionar encargos setoriais no médio prazo. Por outro lado, o governo sustenta que a contratação antecipada reduz riscos de déficit de potência e evita soluções emergenciais mais caras no futuro.
O resultado do leilão reforça a tendência de maior participação de usinas termelétricas na matriz de capacidade do país, ao mesmo tempo em que evidencia o desafio regulatório de equilibrar segurança energética, modicidade tarifária e previsibilidade para investidores e consumidores livres.
Fonte: Eixos
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