A EPE projeta 3,7 milhões de veículos elétricos em circulação e uma demanda de 7,8 TWh ligada à eletromobilidade até 2035. Veja como o novo grupo de trabalho do CNPE deve organizar a política do setor, por que a eletrificação da frota é uma questão de planejamento energético e o que empresas do mercado livre precisam acompanhar.

O governo federal começou a desenhar uma política nacional de eletromobilidade. Em vez de tratar carros, ônibus e caminhões elétricos como um assunto restrito ao setor automotivo, a discussão passou a ser conduzida dentro do sistema de energia onde, de fato, ela pesa. Para quem contrata energia no mercado livre, o movimento importa: a eletrificação da frota é uma das forças que vão moldar a demanda por eletricidade na próxima década.

Neste artigo, você entende o que está em jogo, o que dizem as projeções oficiais e como acompanhar o tema com a clareza que a tomada de decisão exige.

O que é a estratégia nacional de eletromobilidade que o governo está montando?

É um grupo de trabalho que o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) deve criar para formular as bases de uma estratégia nacional de eletromobilidade. Segundo a newsletter Diálogos da Transição, do portal eixos, a proposta reúne sete ministérios e três agências reguladoras, com prazo de 120 dias, a contar da nomeação dos titulares, para entregar diagnóstico, diretrizes e recomendações regulatórias.

O passo se soma a uma movimentação institucional recente. Em maio de 2026, foi criado o Departamento de Eletromobilidade, vinculado à Secretaria Nacional de Transição Energética do Ministério de Minas e Energia (MME). A leitura é que o país deixa de tratar o tema de forma dispersa e passa a buscar coordenação entre transporte, energia, indústria e regulação.

Entre as questões que o grupo deve enfrentar estão a integração entre eletrificação e biocombustíveis, a infraestrutura de recarga e o gerenciamento da demanda que ela gera, a cadeia de minerais críticos para baterias, a economia circular desses componentes e o fomento à indústria nacional.

Por que a eletromobilidade é uma pauta de energia, e não só de transporte?

Porque cada veículo elétrico que entra em circulação é uma nova carga conectada ao sistema elétrico. Diferentemente de um veículo a combustão, que se abastece na cadeia de combustíveis, o elétrico se abastece de eletricidade e o momento, o local e o volume dessa recarga afetam diretamente o consumo e a operação do sistema.

É por isso que a discussão migrou para dentro do CNPE. A eletrificação da frota muda a curva de demanda, exige planejamento de infraestrutura de recarga e cria um novo elo entre mobilidade e contratação de energia. Para o consumidor corporativo, especialmente no mercado livre, entender essa dinâmica cedo é o que separa a decisão informada da reação de última hora.

Quanto a eletrificação deve pesar na demanda de energia até 2035?

A eletrificação deve elevar de forma expressiva o consumo de eletricidade ligado ao transporte. De acordo com o Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE 2035), da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), a demanda associada à eletromobilidade deve saltar de 627 GWh em 2025 para 7,8 TWh em 2035.

No mesmo horizonte, a EPE projeta que 23% dos licenciamentos de veículos leves serão eletrificados em 2035 e estima uma frota de cerca de 3,7 milhões de veículos elétricos em circulação no país. As projeções incluem ainda o avanço da eletrificação em ônibus e em caminhões das categorias mais leves.

A infraestrutura de recarga acompanha esse movimento, embora ainda concentrada em 2024, cerca de 30% dos eletropostos estavam em São Paulo, segundo a EPE. Levantamentos de mercado já apontam mais de 25 mil pontos de recarga instalados no Brasil

O recado para o planejamento é direto: eletromobilidade é crescimento de demanda. E crescimento de demanda é tema de contratação, previsibilidade e gestão de energia.

Como biocombustíveis e eletrificação se conectam na transição brasileira?

Elas convivem, e a estratégia nacional tende a tratá-las de forma integrada. O Brasil construiu sua transição sobre uma matriz que já combina diferentes rotas, e a eletrificação entra somando-se aos biocombustíveis, não os substituindo de imediato.

Nessa direção, o programa Combustível do Futuro, que conta com Comitê Técnico Permanente, e medidas como o E32, o aumento do percentual de etanol na gasolina para 32%, seguem em curso ao lado da eletrificação. O Plano Clima para Transportes é outro instrumento que dá moldura a essa combinação de rotas tecnológicas.

Para o setor elétrico, a mensagem é de complementaridade planejada: a transição brasileira avança em mais de uma frente ao mesmo tempo, e a coordenação entre elas é justamente o que o novo grupo de trabalho pretende organizar.

O que empresas do mercado livre devem observar daqui para frente?

Vale acompanhar três frentes: a regulação, a curva de demanda e a infraestrutura. A definição de diretrizes pela estratégia nacional pode influenciar regras de recarga, tarifas e incentivos; a projeção de crescimento da demanda é um indicativo de como a eletromobilidade deve se somar a outras variáveis do consumo de energia; e a expansão da rede de recarga altera onde e quando esse consumo acontece.

Há também uma dimensão industrial em disputa. O debate envolve a relação entre a indústria automotiva instalada no país e as importações; a Anfavea, por exemplo, chegou a sinalizar contestação sobre a renovação de cotas de importação com alíquota zero para veículos elétricos. Esse tipo de tensão tende a aparecer nas recomendações que o grupo de trabalho vai formular.

Para quem acompanha o mercado de energia, o ponto é este: a eletromobilidade se soma às forças que devem moldar a demanda elétrica na próxima década. Ainda é cedo para dimensionar o efeito prático em cada contrato, mas os desdobramentos — regulatórios, de infraestrutura e de mercado, valem acompanhamento nos próximos meses.

Perguntas frequentes

O que é o grupo de trabalho de eletromobilidade do CNPE? É uma instância proposta para formular as bases de uma estratégia nacional de eletromobilidade, reunindo sete ministérios e três agências reguladoras, com prazo de 120 dias para apresentar diagnóstico, diretrizes e recomendações regulatórias, segundo reportagem do portal eixos.

Quantos veículos elétricos o Brasil deve ter até 2035? A EPE projeta uma frota de cerca de 3,7 milhões de veículos elétricos em circulação em 2035, com 23% dos licenciamentos de veículos leves eletrificados naquele ano, conforme o PDE 2035.

Qual o impacto da eletromobilidade na demanda de energia? Segundo o PDE 2035, a demanda de eletricidade ligada à eletromobilidade deve crescer de 627 GWh em 2025 para 7,8 TWh em 2035.

Eletrificação substitui os biocombustíveis no Brasil? Não no curto prazo. A transição brasileira combina rotas: a eletrificação avança ao lado de programas como o Combustível do Futuro e medidas como o E32, sob a moldura do Plano Clima para Transportes.

Nova Energia: previsibilidade para acompanhar a transição

A transição energética adiciona novas variáveis ao consumo de eletricidade, e a eletromobilidade é uma das mais relevantes para a próxima década. Acompanhar essas mudanças com leitura técnica e planejar a contratação de energia com previsibilidade é o que permite decidir com clareza, sem sustos. A Nova Energia atua no mercado livre para que sua empresa tenha essa clareza hoje e ao longo da transição.

Fontes

  • Machado, Nayara; Poletti, Luma. Governo ensaia estratégia para a eletromobilidade. eixos — newsletter Diálogos da Transição, 25/08/2026.
  • Empresa de Pesquisa Energética (EPE) / Ministério de Minas e Energia (MME). Eletromobilidade avança no país e PDE 2035 projeta expansão da eletrificação no transporte rodoviário — Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE 2035), Caderno de Eletromobilidade.