O Brasil vai consumir mais eletricidade nos próximos dez anos, e uma parte relevante desse crescimento virá de usos que hoje ainda são pequenos. Segundo o Plano Decenal de Expansão de Energia 2036 (PDE 2036), elaborado pelo Ministério de Minas e Energia (MME) e pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e colocado em consulta pública em 8 de outubro, o consumo de eletricidade deve crescer em média 3,4% ao ano até 2036, chegando a 979 TWh.

Três vetores puxam essa curva: a eletromobilidade, os data centers e a produção de hidrogênio. Para a empresa que tem a energia como custo relevante, a questão prática é entender o que uma demanda maior e mais disputada significa para o planejamento dos próximos anos.

O que o PDE 2036 projeta para o consumo de energia no Brasil?

O PDE 2036 projeta que o consumo de eletricidade no país cresça a uma taxa média de 3,4% ao ano até 2036, alcançando 979 TWh. O plano é o principal instrumento de planejamento do setor energético brasileiro e orienta decisões sobre expansão de geração, transmissão e contratação de energia ao longo da década.

Como o documento ainda está em consulta pública, os números podem ser ajustados até a versão final. Ainda assim, a direção indicada é clara: a eletricidade passa a ocupar espaço em atividades que antes dependiam de outras fontes de energia.

Quais setores devem puxar o aumento da demanda?

A eletromobilidade, os data centers e o hidrogênio são os três vetores de maior crescimento relativo no plano:

  • Eletromobilidade: o consumo deve sair de 1 TWh em 2026 para 15 TWh em 2036. Desse total, 9,4 TWh viriam de veículos leves, 4,6 TWh de ônibus urbanos e 0,7 TWh de caminhões.
  • Data centers: a demanda deve se multiplicar por dez, de 3 TWh para 30 TWh no período. Parte dos investimentos aguarda a regulamentação do Redata, regime especial voltado ao setor.
  • Hidrogênio: a produção deve consumir 3 TWh em 2036, com a demanda elétrica começando a aparecer a partir de 2031, em função do prazo mais longo de desenvolvimento dos projetos.

Na eletromobilidade, o movimento já é visível. Em agosto, os carros elétricos responderam por 24,4% dos emplacamentos no país, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), e a frota brasileira de eletrificados já passa de 580 mil veículos, a maior da América Latina, segundo a Organização Latino-Americana e Caribenha de Energia (Olacde).

Por que mais demanda exige mais do sistema elétrico?

Porque consumir mais energia não depende apenas de gerar mais: é preciso levar essa energia até onde ela é usada e garantir que esteja disponível nos horários de maior consumo. A eletrificação da economia exige novos investimentos em geração, em linhas de transmissão e em armazenamento.

Há também uma disputa por conexão. Data centers e projetos de hidrogênio são cargas grandes e concentradas, que competem pelo mesmo acesso à rede. Em escala regional, a Olacde estima que a América Latina precisará de cerca de 1.000 GW adicionais de capacidade de geração até 2050, combinados a 80 GW em baterias, para acompanhar a expansão da demanda em um cenário de emissões líquidas zero.

O custo dessa expansão é uma discussão em aberto no setor. Investimentos em rede, armazenamento e reserva de capacidade precisam ser remunerados, e a forma como esses custos serão distribuídos entre os consumidores ainda está em debate.

O que esse cenário significa para o custo de energia das empresas?

Significa que o custo de energia tende a depender cada vez mais de variáveis estruturais, e não apenas das condições de chuva de cada ano. Uma demanda crescente, a necessidade de expansão da rede e a definição de quem paga pelos novos investimentos são fatores que podem influenciar preços e encargos ao longo da década.

Isso não é motivo para alarme, e nenhuma projeção deve ser lida como certeza. É um sinal para planejar com horizonte mais longo. Para empresas que pretendem eletrificar frota, ampliar operação ou instalar novos equipamentos, há ainda um ponto interno: o próprio perfil de consumo pode mudar, e o contrato de energia precisa acompanhar essa mudança.

Como planejar o custo de energia para a próxima década?

O primeiro passo é tratar a energia como decisão de médio e longo prazo, e não como uma conta que chega todo mês. No mercado livre de energia, a empresa contrata a energia diretamente, com preço, prazo e condições definidos em contrato, o que permite planejar o custo com mais previsibilidade.

O resultado depende do perfil de consumo, da estrutura do contrato e do momento da contratação. Por isso, vale considerar não só o consumo atual, mas também o consumo esperado: uma empresa que prevê eletrificar parte da operação precisa de um contrato que comporte esse crescimento, com volumes e flexibilidades adequados. Estruturar essa decisão exige leitura de mercado, análise regulatória e acompanhamento contínuo.

A eletrificação vai mudar o jeito como o Brasil consome energia, e as empresas que planejam com antecedência atravessam essa transição com mais clareza. A Nova Energia assume o mercado livre de energia pela sua empresa e continua do seu lado depois do contrato, acompanhando as mudanças do setor e do seu próprio consumo.

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