O percentual representa quase o dobro da inflação prevista para o período, ampliando a pressão sobre consumidores residenciais, comerciais e industriais.

De acordo com o último Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central, o mercado projeta IPCA de 3,99% para 2026. Em algumas distribuidoras, no entanto, os reajustes estimados podem se aproximar ou até ultrapassar o triplo desse índice.

Distribuidoras com maiores e menores reajustes

Entre as concessionárias com maiores altas estimadas estão:

• Neoenergia Pernambuco, com projeção de 13,12%
• CPFL Paulista, com 12,50%
• Enel Ceará, com 10,66%

Na direção oposta, as menores variações previstas são:

• Neoenergia Brasília, com -3,73%
• Amazonas Energia, com -1,72%
• Equatorial Piauí, com -0,83%

O cenário evidencia diferenças regionais relevantes e reforça a complexidade da formação tarifária no setor elétrico brasileiro. A Thymos Energia aponta três fatores centrais para o movimento de alta nas contas de luz:

• Custos maiores de geração de energia
• Alto volume de perdas, incluindo furto de energia
• Crescimento da Conta de Desenvolvimento Energético, que financia subsídios e é rateada entre todos os consumidores

Esses componentes impactam diretamente a estrutura de custos das distribuidoras e, consequentemente, os reajustes anuais aplicados às tarifas.

Desafios estruturais e avanço das renováveis

Além da pressão tarifária, a consultoria destaca desafios operacionais crescentes no sistema elétrico. Um dos principais pontos de atenção é o avanço das fontes renováveis, especialmente eólica e solar, e seus impactos sobre a operação do sistema.

A micro e minigeração distribuída, principalmente por meio de sistemas fotovoltaicos instalados em residências e comércios, atingiu 44 mil MW em 2025, o equivalente a cerca de 17% da potência instalada do país.

Com o aumento da oferta renovável e limitações na infraestrutura de transmissão, os cortes de geração, conhecidos no setor como curtailment, atingiram níveis recordes. A média anual chegou a 24,3% na fonte solar e 18,7% na eólica, quando a produção não pôde ser plenamente aproveitada.

Segundo a Thymos, a tendência para 2026 é de leve aumento desse fenômeno. O tema deixou de ser periférico e passou a ocupar posição central nas discussões sobre previsibilidade e sustentabilidade econômica do setor elétrico.

De acordo com Filipe Soares, diretor da consultoria, o curtailment não pode mais ser tratado como evento pontual. Para ele, soluções como armazenamento de energia e mecanismos econômicos adequados precisam avançar para garantir maior estabilidade ao sistema.

Conclusão

As projeções da Thymos indicam que 2026 deve ser marcado por pressão tarifária acima da inflação e desafios operacionais associados ao crescimento das renováveis e aos gargalos de transmissão. O cenário mantém o setor elétrico sob atenção, especialmente diante do avanço do curtailment e da necessidade de soluções estruturais.

Fonte: CNN Brasil

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