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18 de março, 2026
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Consumo de energia no mercado livre avança 7,3% em 2025 enquanto mercado cativo recua 5,1%, aponta CCEE
O mercado livre de energia registrou crescimento de 7,3% no consumo em 2025, enquanto o mercado cativo recuou 5,1%. Estudo da CCEE mostra avanço da participação do ACL no consumo de eletricidade no Brasil.
O consumo de energia elétrica no Ambiente de Contratação Livre (ACL) registrou crescimento de 7,3% em 2025 na comparação anual, segundo levantamento da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE). No mesmo período, o mercado cativo apresentou retração de 5,1%.
Considerando o consolidado do Sistema Interligado Nacional (SIN), o consumo total de eletricidade apresentou leve variação negativa de 0,2% no período.
De acordo com a CCEE, os resultados reforçam uma mudança estrutural na dinâmica de consumo de eletricidade no país. O mercado livre atingiu sua maior participação histórica e passou a responder por 42% de toda a energia consumida no Brasil.
Setor de saneamento lidera expansão do consumo no ACL
Entre os segmentos econômicos analisados pela CCEE, o maior crescimento de consumo no mercado livre em 2025 foi registrado no setor de saneamento, com expansão de 28,3%.
Segundo a entidade, o avanço está relacionado principalmente à entrada de novos consumidores no ambiente livre, movimento impulsionado pelo novo marco legal do saneamento, que exige infraestrutura intensiva em energia elétrica.
Outros setores tradicionalmente associados ao mercado cativo também ampliaram sua participação no ACL ao longo do período.
Entre os principais destaques estão:
• Serviços, com crescimento de 20,6%
• Comércio, com aumento de 15,0%
A CCEE destaca que o avanço nesses segmentos ocorreu tanto pela migração de novas unidades consumidoras para o mercado livre quanto pela elevação do consumo entre consumidores que já operavam nesse ambiente.
Apesar da expansão em diferentes atividades econômicas, a indústria permanece como principal base da demanda elétrica no país. O segmento de metalurgia e produtos de metal segue liderando o consumo, sustentado por cargas eletrointensivas.
Expansão do mercado livre se consolida em polos econômicos regionais
A análise regional realizada pela CCEE indica que o mercado livre já apresenta presença consolidada em diversos estados brasileiros.
Em 2025, Pará, Minas Gerais e Paraná registraram mais da metade de todo o consumo de energia proveniente do Ambiente de Contratação Livre.
Nos estados do Pará e de Minas Gerais, esse resultado está fortemente associado à atividade de mineração e metalurgia e produtos de metal. No Paraná, o crescimento do ACL está ligado à presença de setores industriais relevantes, como alimentos, madeira, papel e celulose.
Entre os estados que registraram maior crescimento percentual no consumo no mercado livre em 2025 destacam-se:
• Acre, com aumento de 9,6%
• Maranhão, com crescimento de 7,7%
• Pará, com alta de 4,6%
Consumo total de eletricidade registra leve retração em 2025
Apesar do avanço do mercado livre, o consumo total de energia elétrica no país apresentou pequena retração em 2025.
Segundo a CCEE, parte desse comportamento está relacionada ao efeito de base de comparação. O ano de 2024 foi marcado por episódios de calor intenso que elevaram significativamente a demanda por eletricidade, sobretudo devido ao aumento do uso de equipamentos de climatização.
Em 2025, temperaturas mais amenas ao longo de boa parte do ano reduziram a demanda por ar condicionado e ventiladores, impactando principalmente o consumo residencial e comercial no mercado cativo.
Outro fator apontado pela CCEE é a expansão da micro e minigeração distribuída. A energia produzida por sistemas instalados em residências e pequenos estabelecimentos comerciais é consumida localmente e, por esse motivo, aparece nas estatísticas como redução do consumo registrado no mercado cativo.
Matriz elétrica mantém elevada participação de fontes renováveis
O levantamento da CCEE também mostra que a matriz elétrica brasileira manteve elevada participação de fontes renováveis em 2025.
Do total de 72.339 MW médios gerados no país, cerca de 65.129 MW médios tiveram origem em fontes renováveis, o equivalente a 90,0% da eletricidade produzida.
A geração hidráulica respondeu por 62,2% do total, percentual inferior aos 65,7% registrados no ano anterior.
As fontes eólica e solar ampliaram sua participação e passaram a representar, respectivamente, 17,9% e 5,3% da geração nacional.
A expansão da infraestrutura também contribuiu para esse cenário. A capacidade instalada do país ultrapassou 220 GW, com 86,5% da potência proveniente de fontes renováveis.
O crescimento foi impulsionado principalmente pela região Nordeste, que adicionou 4,6 GW de potência renovável ao Sistema Interligado Nacional no último ano.
Fonte: Brasil Energia
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