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15 de junho, 2026
LEITURA DE 4MIN
CMSE mantém critério de aversão ao risco para operação do sistema elétrico a partir de 2027
Parâmetro seguirá orientando a operação do sistema elétrico e a formação de preços da energia a partir de janeiro de 2027.
Critério permanece inalterado para 2027
O Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) decidiu, em 10 de junho de 2026, manter o parâmetro de aversão ao risco CVaR 15/40 para utilização nos modelos computacionais que orientam a operação do sistema elétrico brasileiro e a formação de preços a partir de janeiro de 2027.
A decisão preserva o mesmo critério adotado desde janeiro de 2025 e encerra uma discussão que mobilizou agentes do setor elétrico nos últimos meses.
O tema ganhou relevância devido aos impactos que o parâmetro exerce sobre a operação do Sistema Interligado Nacional (SIN), o despacho de usinas termelétricas e a formação dos preços da energia elétrica.
O que é o CVaR
CVaR é a sigla para Conditional Value at Risk, metodologia utilizada pelos modelos de planejamento energético para definir o nível de aversão ao risco considerado na operação do sistema.
Na prática, o mecanismo determina quanto o modelo deve se proteger contra cenários hidrológicos adversos, influenciando a preservação dos reservatórios das usinas hidrelétricas e o acionamento preventivo de geração termelétrica.
No critério mantido pelo CMSE:
• o número 15 representa os 15% piores cenários hidrológicos simulados
• o número 40 representa o peso atribuído a esses cenários dentro da tomada de decisão operacional
Quanto maior o peso dado aos cenários críticos, maior tende a ser o conservadorismo do modelo.
Impactos sobre operação e preços
A definição do CVaR possui influência direta sobre importantes indicadores do setor elétrico.
Entre os principais impactos estão:
• despacho preventivo de usinas termelétricas
• preservação dos reservatórios hidrelétricos
• Custo Marginal de Operação (CMO)
• Preço de Liquidação das Diferenças (PLD)
• custos operacionais do sistema
Modelos mais conservadores tendem a antecipar o acionamento de usinas termelétricas para preservar níveis de armazenamento. Em contrapartida, modelos menos conservadores podem reduzir o despacho preventivo, mas aumentam a exposição do sistema a cenários hidrológicos desfavoráveis.
Debate dividiu agentes do setor
A discussão foi conduzida ao longo dos últimos meses no âmbito do Comitê Técnico PMO/PLD, que realizou consulta externa encerrada em abril de 2026.
Parte dos agentes defendeu a manutenção do CVaR 15/40, argumentando que a redução da aversão ao risco poderia aumentar a probabilidade de despachos corretivos futuros e gerar impactos sobre encargos e segurança operativa.
Outro grupo defendeu a adoção do parâmetro 15/30, considerado menos conservador e potencialmente associado a menores custos operacionais para os consumidores.
A análise também considerou os efeitos dos Leilões de Reserva de Capacidade realizados em março de 2026, que contrataram aproximadamente 20 GW em potência adicional para reforço da confiabilidade do sistema elétrico.
Contexto da decisão
Em maio de 2026, o CMSE havia optado por adiar a deliberação e solicitar estudos complementares ao Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e à Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE).
Os estudos buscaram avaliar de que forma a nova capacidade contratada nos leilões poderia influenciar os critérios de operação e os níveis adequados de aversão ao risco para os próximos anos.
Após a análise dos resultados, o comitê decidiu manter o parâmetro atualmente vigente.
Fonte: UOL
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