Resumo rápido

  • A Volt Robotics publicou, em 26/07/2026, análise sobre como formar o lance (BID) de um sistema de armazenamento de energia por baterias (BESS) para um contrato de 15 anos
  • No exercício didático da Volt Robotics, um BESS hipotético de 100 MW e 400 MWh perde parte da energia útil só pela faixa de operação adotada (10% a 90% do estado de carga), antes mesmo de perdas e degradação
  • Um modelo que trata a bateria como "congelada no tempo" ignora degradação, falhas, indisponibilidade e necessidade de reinvestimento ao longo da vigência do contrato
  • Ao comparar esse modelo estático com um modelo que incorpora a evolução do ativo, a receita necessária para sustentar o mesmo contrato mudou de forma material, ainda que os valores exatos sejam apenas ilustrativos
  • O armazenamento por baterias é uma peça que deve ganhar relevância crescente na discussão sobre flexibilidade do sistema elétrico brasileiro nos próximos anos

O que a Volt Robotics analisou sobre o preço de um sistema de armazenamento?

Segundo análise publicada pela Volt Robotics em sua newsletter "Reinventando a Energia" (Fonte: Volt Robotics, 26/07/2026), a formação do lance de um sistema de armazenamento de energia por baterias, o BESS, para um contrato de 15 anos não pode se apoiar apenas no investimento inicial: precisa refletir quanto custará sustentar a entrega prometida durante toda a vigência do contrato.

O material compartilha os aprendizados do "Aulão Volt 28: Modelando o BESS", com um exercício didático envolvendo um BESS hipotético de 100 MW e 400 MWh. Numa faixa de operação entre 10% e 90% do estado de carga, apenas 320 MWh dos 400 MWh nominais ficam dentro da janela operacional, antes mesmo de perdas e degradação. A Volt Robotics é explícita: os números são didáticos e não constituem referência para qualquer leilão real.

Por que um modelo "congelado no tempo" é arriscado?

No primeiro modelo apresentado no Aulão, a bateria não envelhecia: eficiência constante, sem falhas, manutenção ou necessidade de novos módulos ao longo dos 15 anos (Fonte: Volt Robotics, 26/07/2026).

Na prática, o ativo que chega ao décimo quinto ano é diferente daquele que entrou em operação no primeiro: capacidade utilizável menor, eficiência reduzida, falhas mais prováveis e, eventualmente, necessidade de novos investimentos.

A Volt Robotics reforça que cada operação altera as condições da operação seguinte, o que exige simular continuamente o estado do ativo, não apenas calcular uma média fixa para todo o contrato.

Qual foi o efeito de considerar essa evolução no modelo?

Ao aplicar o mesmo conjunto de ordens simuladas às duas representações do sistema, uma estática e outra que incorpora a evolução do ativo no tempo, a receita necessária para sustentar o contrato mudou de forma material. A conclusão de fundo não está no valor exato encontrado, e sim no tamanho do erro que um modelo simplificado pode carregar quando o horizonte é de 15 anos.

Por que isso importa para quem acompanha o setor elétrico?

O armazenamento por baterias ainda é um tema relativamente novo no Brasil, mas tende a ganhar espaço à medida que a discussão sobre flexibilidade, geração intermitente e serviços ancilares avança. Exercícios como o da Volt Robotics ajudam a entender a complexidade real por trás de um investimento em BESS algo útil para qualquer profissional do setor que queira acompanhar para onde o mercado está caminhando, independentemente de operar ou não esse tipo de ativo hoje.

Perguntas frequentes

O que é BESS?

BESS (Battery Energy Storage System) é um sistema de armazenamento de energia por baterias, capaz de injetar ou reter energia conforme a necessidade do sistema elétrico.

Por que a formação do lance de um contrato de BESS de 15 anos é tão complexa?

Porque a bateria muda ao longo do tempo: perde capacidade, eficiência e confiabilidade, e pode exigir reinvestimento. Segundo a Volt Robotics, um modelo de precificação precisa simular essa evolução ano a ano, não apenas projetar o ativo como ele é no dia zero.

Os números do exercício da Volt Robotics (100 MW, 400 MWh, 320 MWh úteis) valem como referência de mercado?

Não. A própria Volt Robotics afirma que o valor exato encontrado não constitui referência para qualquer leilão real. Os números fazem parte de um exercício didático apresentado no Aulão Volt 28, com ordens sintéticas e premissas adotadas apenas para fins de ensino.

Armazenamento por baterias já é relevante hoje no mercado brasileiro?

É um tema em ascensão, ligado à discussão sobre flexibilidade do sistema e à crescente participação de fontes intermitentes na matriz. Ainda não tem o mesmo volume de outras tecnologias, mas é um assunto que vale acompanhar.