O avanço regulatório no Brasil começa a abrir caminho para a expansão de sistemas de armazenamento de energia em baterias, conhecidos como BESS. Com a aprovação da Lei 15.269/2025, o armazenamento passou a ser formalmente reconhecido como atividade do setor elétrico, criando bases regulatórias que podem viabilizar novos investimentos e ampliar o papel dessas tecnologias no Sistema Interligado Nacional.

Novo marco regulatório para armazenamento de energia

A Lei 15.269/2025 estabelece um marco legal que inclui o armazenamento de energia no conjunto de atividades reguladas e fiscalizadas pela Agência Nacional de Energia Elétrica. Com isso, o BESS passa a ser tratado de forma institucional ao lado de geração, transmissão e distribuição.

Na prática, o reconhecimento regulatório cria diretrizes para que sejam desenvolvidas regras específicas relacionadas ao acesso à rede, à remuneração e ao enquadramento contratual desses sistemas. Até então, esses elementos eram tratados de forma fragmentada, o que aumentava o risco regulatório de projetos de armazenamento.

A partir desse cenário, o BESS deixa de ser visto apenas como solução pontual para qualidade de energia ou restrições locais e passa a ser considerado um ativo capaz de oferecer flexibilidade ao sistema elétrico.

Potencial de investimentos no setor

A maior previsibilidade regulatória tende a estimular novos investimentos no setor de armazenamento. Análises apoiadas em estudos técnicos do Operador Nacional do Sistema Elétrico indicam que os sistemas BESS podem destravar até R$ 40 bilhões em investimentos nos próximos anos.

A expectativa é que a redução das incertezas relacionadas à remuneração e ao enquadramento regulatório permita maior participação de investidores e desenvolvedores em projetos de armazenamento.

Primeiro leilão de armazenamento no radar do governo

A agenda de contratação também começa a avançar. O primeiro leilão dedicado a sistemas de armazenamento já entrou no planejamento do governo e do mercado, com previsão para 2026.

O modelo em discussão prevê contratação no formato LRCAP voltado para armazenamento, com o objetivo de remunerar potência e disponibilidade de forma compatível com o papel desses sistemas na segurança do suprimento.

Com isso, o debate no setor passa a se concentrar em aspectos como produtos que poderão ser contratados, estrutura de conexão à rede, mitigação de riscos operacionais e integração com outras soluções energéticas.

O papel do BESS na operação do sistema elétrico

Com o aumento da participação de fontes renováveis variáveis, como solar e eólica, surgem novos desafios operacionais para o Sistema Interligado Nacional.

Os sistemas de armazenamento podem contribuir para a operação do sistema em diferentes frentes:

• Armazenamento de energia em períodos de sobra
• Liberação de energia em momentos de déficit
• Resposta rápida a variações de carga e geração
• Suporte a serviços ancilares como frequência e tensão

Essas características tornam o BESS uma solução capaz de responder rapidamente às necessidades operacionais da rede elétrica.

Como funcionam os sistemas BESS?

Um sistema BESS é composto por diferentes subsistemas que operam de forma integrada para armazenar e disponibilizar energia elétrica de maneira controlada.

Entre os principais componentes estão os módulos de baterias, responsáveis pelo armazenamento da energia, o sistema de gerenciamento de baterias que monitora parâmetros operacionais, e os inversores bidirecionais que realizam a conversão entre corrente contínua e corrente alternada.

O sistema também conta com uma camada de controle e supervisão responsável por coordenar a operação com base em condições da rede elétrica, sinais de mercado e estratégias de despacho.

A operação ocorre em dois ciclos principais: o ciclo de carga, quando o sistema absorve energia da rede ou de fontes renováveis, e o ciclo de descarga, quando a energia armazenada é devolvida ao sistema conforme a necessidade.

Tecnologias de baterias utilizadas

A escolha da tecnologia de bateria influencia diretamente o desempenho e a operação dos sistemas de armazenamento.

Entre as principais tecnologias utilizadas atualmente estão:

• Íon-lítio, amplamente utilizada em aplicações de resposta rápida e serviços ancilares
• Lítio-ferro-fosfato, com maior estabilidade térmica e vida útil mais longa
• Baterias de fluxo, indicadas para aplicações de maior duração

Outras tecnologias também estão em desenvolvimento e podem ampliar as opções de armazenamento no futuro.

Exemplo de aplicação em projeto internacional

Projetos internacionais ilustram como sistemas de armazenamento podem ser integrados à infraestrutura elétrica existente. Um exemplo é o projeto BESS Maxima, desenvolvido próximo à Usina Maxima, na Holanda.

O sistema foi implantado com o objetivo de apoiar a operação da rede elétrica, absorvendo variações de geração e demanda e contribuindo para a estabilidade do fornecimento de energia.

A engenharia do projeto incluiu revisão técnica, supervisão de construção e integração do sistema à infraestrutura já instalada.




Fonte: Canal Energia

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